Reforma tributária e a nova guerra de vaidade

Reforma tributária e a nova guerra de vaidade

Coluna do Estadão

14 de setembro de 2019 | 05h00

FOTO DIDA SAMPAIO / ESTADAO

Enquanto o governo patina, Câmara e Senado, mais uma vez, disputam a paternidade da reforma tributária. Há cerca de um mês, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), conversam para chegar a um acordo parecido com o alcançado na Previdência, pelo menos em torno dos pontos principais, mas ainda sem sucesso. Dessa forma, o Senado toca sua agenda e o relatório de Roberto Rocha (PSDB-MA) deve ser lido na quarta-feira. Na Câmara, o prazo para recebimento de emendas foi reaberto.

Cronograma. Pelas contas de quem acredita no acordo, a reforma pode ser votada em primeiro turno ainda este ano. Ficaria para 2020 o segundo turno e a votação no Senado.

Core. Ainda que ambas se proponham a unificar tributos, há diferenças consideráveis. A da Câmara reúne cinco impostos, a do Senado, 9, por exemplo.

No lápis. A proposta da Câmara já conta com o apoio dos secretários de Fazenda dos Estados. Pelas contas da cúpula da comissão, como historicamente os governadores travaram o avanço das reformas anteriores, o apoio deles por si só já garantiria os votos necessários para aprová-la.

CLICK. “Bahia Barroca”, da fotógrafa Flávia K, é a exposição aberta esta semana por João Doria no Palácio dos Bandeirantes. Visitas são gratuitas e monitoradas.

COLUNA DO ESTADÃO

Acúmulo… A ministra Tereza Cristina embarcou ontem para uma viagem ao Oriente Médio. No roteiro, o Egito, que cancelou de última hora uma visita do ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira no ano passado.

…de funções. O cancelamento ocorreu em retaliação à intenção de Bolsonaro, recém-eleito, de mudar a embaixada brasileira de Israel para Jerusalém. Além de ajudar a baixar o tom no caso das queimadas na Amazônia, Tereza apaga incêndios também na área diplomática do governo.

Amizade… A votação da Lei das Licitações uniu PT e PSOL ao Novo na Câmara: foram contra o aumento da exigência de garantia de empresas em obras acima de R$ 100 milhões.

…nova. “O Novo alia-se à sintética e brilhante defesa da deputada petista Erika Kokay da livre concorrência”, disse o líder Marcel Van Hatten, arrancando risadas no plenário da Casa.

SINAIS PARTICULARES. 

Marcel Van Vatten, líder do Novo

Kleber Sales

Ops. Pedro Lupion (DEM-PR) quase assinou a CPI da Lava Jato – achava que o objetivo era investigar o vazamento das mensagens. Diz que muitos também caíram na pegadinha de não ler direito.

Vai que cola. Agora Lupion trabalha com outros parlamentares para enterrar a CPI: estão ligando para os que assinaram o requerimento tentando fazê-los mudar de ideia. Mesmo que, regimentalmente, não seja mais possível retirar assinatura.

Pegadinha… Quando pipocaram no grupo de WhatsApp da bancada do DEM mensagens de deputados preocupados se teriam assinado “sem querer”, quem zoou foi Rodrigo Maia.

…do malandro. Ele brincou que a assinatura dos que estavam em dúvida seria publicada na recontagem. É Maia quem decide se instala ou não a CPI.

Bentinho. Vice-líder do governo, Marco Feliciano (Pode-SP) reagiu à fala de Luiz Eduardo Ramos à Coluna de que formar base é como um “namoro”. “Governo premia quem trai e dá mau exemplo a quem é fiel.”

Xii… A Coluna apurou que Feliciano tentou, sem sucesso, emplacar Pablo Tatim na Esplanada. Depois, sugeriu o ex-deputado Takayama (PSC-PR), que foi presidente da bancada evangélica. Este segundo estaria ainda sob análise, mas depois do tuíte suas chances diminuíram.

PRONTO, FALEI!

Dida Sampaio/Estadão

Alexandre Frota, deputado federal (PSDB-SP): “CPI não é bicho de sete cabeças. Não sou igual ao Flávio (Bolsonaro) de não assinar. Se for o caso, estarei lá para defendê-lo (Moro)”, sobre CPI da Lava Jato.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA.

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