Recuo de Bolsonaro deixa Pazuello vendido

Recuo de Bolsonaro deixa Pazuello vendido

Coluna do Estadão

29 de outubro de 2020 | 05h00

Foto: Erasmo Salomão/MS

Após ter surpreendido os secretários da Saúde (conforme mostrou a Coluna) com o decreto que autorizava estudos para conceder as UBS à iniciativa privada, Jair Bolsonaro também pregou peça em sua base. Quando os liberais e os governistas encaixavam discurso para defender a medida, o presidente recuou. Quase simultaneamente, o Ministério da Saúde enviava nota à Coluna defendendo a proposta, alegando se tratar de pedido da pasta. “A avaliação conjunta (com a Economia) é de ser preciso incentivar a participação da iniciativa privada”.

Chegou tarde. A nota do ministério de Eduardo Pazuello demorou 24 horas desde o questionamento da Coluna para ser respondida. O ministro ficou “vendido” em mais um episódio, observam governistas.

Direto. Antes da decisão de Bolsonaro, o líder do governo na Câmara e ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), havia dito: “Isso já está presente há anos e anos no SUS, o decreto é só para organizar. Vamos parar de frescura. É como ocorre com as filantrópicas, as OSs. Não são instituições privadas?”

Agenda. O líder do Novo na Câmara, Paulo Ganime (RJ), lamentou. “O decreto era positivo, não tem nenhuma relação com acabar com o SUS. A grande questão é como fazer esse serviço chegar à população.”

Voz. Na comunidade médica também houve desagrados. “A decisão de revogar o decreto que explora a concessão de UBS é mais uma oportunidade desperdiçada pelo Brasil de ganhar investimento e eficiência para o SUS”, disse Claudio Lottenberg, presidente do Instituto Coalizão Saúde.

Foi… A ideia da oposição era criar onda suprapartidária para encurralar Bolsonaro. Durou pouco. Com o recuo, ele saiu derrotado, mas desarmou o plano.

…rápido. A deputada Bia Kicis (PSL-DF) rebateu. “Vitória de Pirro. A Saúde anda terrível, há quanto tempo é difícil conseguir um atendimento de qualidade? Vitória para mim é ver o sistema funcionar”, disse.

Ainda pulsa. Secretários da Saúde acham que o recuo é momentâneo: o tema voltará para a agenda.

Planejamento… Relatório sobre a situação epidemiológica na cidade de São Paulo, feito ainda em julho, auge da pandemia da covid-19, prevê média diária no patamar em torno de 200 novos casos e dez mortes na capital em novembro.

…é tudo. Os recentes boletins municipais registram média de diária de mortes em torno de 17 na capital e em tendência de queda, assim como os novos casos. No rumo certo, o secretário Edson Aparecido (Saúde) trabalha com matemáticos e estatísticos na equipe.

CLICK. Bruno Covas (PSDB) visitou José Luiz Datena no hospital Sírio-Libanês, onde o apresentador da Band foi submetido a cirurgia após ter sentido dores no peito.

Coluna do Estadão

Xi… O Novo está devolvendo a doadores os R$ 600 mil que eram para a campanha de Filipe Sabará. Segundo a prestação de contas do ex-candidato, ele arrecadou R$ 22,7 mil. As despesas somam R$ 230 mil.

Barulho na rua. Centrais sindicais e associações patronais farão manifestação, dia 3/11, em frente ao escritório da Presidência, na Avenida Paulista, pela derrubada do veto da desoneração da folha de pagamento.

SINAIS PARTICULARES.
Baleia Rossi, presidente do MDB e deputado federal (SP)

Kleber Salles

Rastro de sucesso. Baleia Rossi (MDB-SP) está refazendo direitinho o trajeto que levou Rodrigo Maia à presidência da Casa. O percurso passa obrigatoriamente pelo apoio da esquerda.

PRONTO, FALEI!

TV Cultura

Átila Iamarino, biólogo: “Já atacaram máscaras, vacinas e sistema de saúde público. O que falta na lista de alvos para ‘ajudar’ mais a covid?”, sobre a gestão do governo na pandemia.

COM MARIANNA HOLANDA. COLABOROU PEDRO VENCESLAU.

Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.