Oposição teme efeitos contrários de protestos

Oposição teme efeitos contrários de protestos

Coluna do Estadão

01 de junho de 2020 | 05h00

Manifestantes na Avenida Paulista neste domingo, 31. Foto: TABA BENEDICTO/ESTADAO

Apesar de reconhecerem como positivo o fato de, pela primeira vez, haver reação nas ruas ao governo Bolsonaro, dirigentes e lideranças de oposição viram com preocupação os atos pró-democracia. Primeiro, por causa dos confrontos físicos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Para eles, as polícias agiram de forma “desigual” com os manifestantes pró e contra o presidente, mas a “estética da imagem” reforçaria que em um lado há baderna e no outro, ordem. Outro temor é que o confronto seja justamente o que presidente gostaria de ver para radicalizar.

Quem é. Para a oposição, o fato de os atos terem sido organizados por torcidas de futebol, inclusive rivais (Corinthians e Palmeiras), foi positivo por mostrar que o desgaste de Bolsonaro transcende partidos e políticos.

Ops. Só foi difícil para esses dirigentes defenderem quem foi pra rua em meio à pandemia. Todos têm criticado o fato de o presidente incentivar seus apoiadores a irem aos atos.

Radicalização. Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse: “Pode ser que resulte numa onda e ele caia. Mas pode ser que crie um quadro perigoso, desenhado para justificar chamar as Forças Armadas para ‘garantir a lei e a ordem’”.

Cobrou. Carlos Lupi, presidente do PDT, avalia que os atos devem continuar crescendo e cobrou uma defesa mais enfática da democracia por parte dos presidentes da Câmara e do Senado: “Estão fazendo uma defesa muito soft”.

Taokey. Apesar dos confrontos, em especial na Avenida Paulista, a Comissão de Direitos Humanos da OAB de SP disse que, nas prisões, não houve nenhuma infração de direitos.

CLICK. O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, esteve ontem no ato pró-Bolsonaro na Esplanada. “A tempestade é forte, mas o timoneiro é firme”, disse.

Reprodução/Instagram

Drible. Técnicos da Economia lamentaram não terem sido informados da parceria do Ministério da Ciência e Tecnologia com a empresa americana Cisco. O acordo visa a “aceleração da transformação digital brasileira”.

Drible 2. Embora não seja obrigatório, acordos como essses costumam passar por uma análise conjunta nos ministérios. A parceria foi alvo de críticas por esses técnicos da economia e pela sociedade civil.

Cangaço… A Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, em estudo divulgado anteontem, disse que a covid-19 está em trajetória ascendente no Brasil todo, com quatro exceções.

…power. O Ceará é o Estado no qual o vírus está diminuindo mais claramente. Sergipe e Pernambuco vêm em seguida. Já a Bahia está como “incerto”, quando o índice bate na trave entre queda e aumento.

SINAIS PARTICULARES.

Nelson Teich, ministro da Saúde

Livre. Fora do Ministério da Saúde, Nelson Teich tem usado as redes sociais para expor suas preocupações em relação à Covid-19 de forma mais enfática do que quando na pasta. Já defendeu o isolamento e mais investimentos científicos. Aliás, só ontem trocou sua biografia no Twitter para “ex-ministro”.

Compasso… O Itamaraty reconheceu que há cerca de 280 brasileiros no México sem condições de voltar.

…de espera. A pasta, em um ofício apresentado pelo PSOL, porém, não informou se pretende arcar com os custos da repatriação de quem não pode pagar pelo voo de volta ao Brasil.

PRONTO, FALEI!

Deputado Marcelo Ramos. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Marcelo Ramos, deputado federal (PL-AM): “O que aconteceu no Brasil ontem mostra que 70% da população já não aceita 30% tentando se impor como maioria. É uma questão aritmética”.

COM REPORTAGEM DE MARIANA HAUBERT (INTERINA) E MARIANNA HOLANDA.  (O EDITOR ALBERTO BOMBIG ESTÁ EM FÉRIAS). 

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