Polícia vai analisar vídeos para identificar quem provocou manifestantes de ato contra Bolsonaro na Paulista

Polícia vai analisar vídeos para identificar quem provocou manifestantes de ato contra Bolsonaro na Paulista

Conflito desencadeou ação dos militares, que disparou bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes agrupados no Masp; secretário-executivo da corporação rebate críticas de ação unilateral e diz que PM agiu contra 'quem quebrou a ordem'

Paulo Roberto Netto

31 de maio de 2020 | 20h14

O secretário-executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, afirmou ao Estadão que a corporação deverá agir nas próximas horas para tentar identificar as pessoas que teriam se infiltrado no grupo de manifestantes contrários ao presidente Jair Bolsonaro, deflagrando a briga que levou à ação da corporação na tarde deste domingo, 31, na Avenida Paulista.

Segundo Camilo, informações iniciais que recebeu do comando da PM indicam que ao menos duas pessoas teriam ido em frente ao Masp, onde se concentrava os manifestantes, e teriam provocado os participantes do ato. Ao Estadão, o organizador do movimento Somos Democracia, Danilo Pássaro, de 27 anos, informou que a dupla portava símbolos neonazistas – informação não confirmada oficialmente pela PM.

“A gente vai identificar tudo, inclusive quem realmente provocou, por que provocou, se estavam ou não com bandeiras (neonazistas) e responsabilizar cada um conforme sua atitude na manifestação”, afirmou o coronel Camilo. “Os que forem identificados serão chamados à responsabilidade, seja por quebra da ordem, seja por estarem atentando contra a democracia, essas pessoas serão responsabilizadas, desde que identificadas”.

O coronel Camilo disse que serão analisadas imagens gravadas pelos manifestantes, por câmeras de segurança da avenida Paulista e os vídeos dos protestos divulgados nas redes sociais. Um inquérito será aberto para apurar o que ocorreu na manifestação.

Policiais militares se agrupam em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) em meio a ato pró-democracia. Foto: Taba Benedicto / Estadão

O conflito deflagrou ação da Polícia Militar, que disparou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que participavam do ato contra Bolsonaro, em confronto que se estendeu por parte da avenida em direção ao metrô Consolação. A ação dos militares foi criticada por ter sido direcionada somente a um dos lados do protesto. Do outro lado da Paulista, em frente à sede da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), manifestantes pró-Bolsonaro foram cercados pela tropa regular da PM e continuaram o ato normalmente.

O coronel Camilo rechaçou as críticas e disse que a PM fez a proteção ‘dos dois lados’ para evitar um ‘mal maior’, que seria o confronto direto entre as duas manifestações opostas.

“O pessoal que estava na Fiesp, só com o cordão (de isolamento), se conseguiu segurar e desestimular que viessem para a Paulista encontrar o outro grupo. O pessoal do Masp estava mais agressivo, tentou inclusive furar o bloqueio”, afirmou o secretário-executivo da PM. “A polícia agiu contra aquele que quebrou a ordem. A polícia não tem lado. A polícia tem lado do cidadão de bem”.

Segundo o coronel Camilo, ao menos cinco pessoas foram detidas durante o confronto com a PM. Duas delas eram pessoas que se aproveitaram do conflito para tentar furtar manifestantes. As outras três foram por resistência contra a ação da PM.

Tudo o que sabemos sobre:

Polícia Militar

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: