TABA BENEDICTO/ESTADAO
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Ato contra Bolsonaro na Paulista termina em confronto com PM

Polícia usa bombas de gás para dispersar ato na Paulista; houve confronto entre grupos pró e contra governo

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2020 | 13h40
Atualizado 31 de maio de 2020 | 22h02

Um ato contra o governo Jair Bolsonaro, autointitulado pró-democracia e antifascista e organizado por grupos ligados a torcidas de futebol na Avenida Paulista, terminou neste domingo, 31, em confronto entre manifestantes e apoiadores do presidente e também com a Polícia Militar – que interveio e usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o início de uma briga em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A confusão, que durou ao menos uma hora, tomou conta da avenida e deixou um rastro de destruição: vidros quebrados, caçambas de lixo e entulho revirados e fogo ateado em objetos no meio da via. Seis pessoas foram detidas, segundo a PM. 

No início da tarde, os participantes do ato convocado pelos coletivos se reuniram no Masp – eles ocuparam boa parte da faixa em frente ao museu. Os manifestantes gritavam “democracia”, vestiam preto e usavam máscaras em razão da pandemia do novo coronavírus. A marcha teve início por volta de 12h.

Integrantes da manifestação levavam faixas com dizeres como “somos democracia”. Parte dos participantes era da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians. Eles cantaram músicas da torcida e paródias como “doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano”. No ato, também havia torcedores do Palmeiras, do São Paulo e do Santos.

A poucos metros dali, em frente à sede da Federação das Indústrias de São Paulo, um grupo de manifestantes pró-Bolsonaro realizava um ato no local. A maioria vestia verde e amarelo. A PM havia separado os grupos. A briga em frente ao Masp envolvendo os manifestantes e a PM começou por volta das 14h20.

De acordo com o organizador do movimento Somos Democracia, o corintiano Danilo Pássaro, de 27 anos, a manifestação no Masp transcorria de forma pacífica e, segundo ele, já se encaminhava para o final, quando, por volta das 14 horas, “três ou quatro pessoas” com camisetas com inscrições neonazistas se infiltraram no grupo. Segundo Danilo, além deles, chegaram também três outras pessoas com farda militar, o que teria iniciado o tumulto. “Até então, estava tudo calmo. Nossas faixas eram pela democracia.” 

A assessoria de imprensa da Gaviões da Fiel informou que não organizou a manifestação, mas que o ato é “legítimo” por defender a democracia.

A PM passou a usar bombas de gás lacrimogêneo para dispensar os manifestantes. A partir daí a confusão aumentou e se estendeu por boa parte da avenida Paulista, em direção ao metrô Consolação. Um grupo passou a jogar pedras e outros objetos contra os policiais. Outros fizeram barricadas com uma caçamba de lixo. O disparo de bombas durou ao menos 40 minutos.

O governador de São Paulo, João Doria, defendeu a ação da PM no ato deste domingo. “A Policia Militar de São Paulo agiu hoje para manter a integridade física dos manifestantes, na Avenida Paulista. Dos dois lados. A presença da PM evitou o confronto e as prováveis vítimas deste embate”, escreveu no Twitter. 

O secretário executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, afirmou ao Estadão que a corporação deverá agir nas próximas horas para tentar identificar os responsáveis pelo confronto.

No Rio, um grupo de torcedores da Democracia Rubro-Negra também fez ato contra Bolsonaro, na orla da Praia de Copacabana. Em meio à divisão entre as duas manifestações, um policial militar afirmou ao deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) que tinha mandado queimar uma bandeira do grupo contrário ao presidente.

Em Belo Horizonte, um grupo de pessoas também organizou um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro. A manifestação traz cartazes de torcidas organizadas de clubes de futebol, como Resistência Alvinegra e Galo Antifa. 

Nas redes sociais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu que o Brasil classifique grupos antifascistas como organizações terroristas. A declaração foi dada em resposta a um tuíte em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoia a designação.  O presidente Jair Bolsonaro também compartilhou a mensagem de Trump. 

“O Brasil deveria fazer o mesmo. Aqui eles se fantasiam de torcida organizada, mas todos sabemos que querem é desordem, baderna e confronto com manifestações pacíficas”, escreveu Eduardo em sua conta oficial no Twitter.

Também deputado federal pelo PSL, Daniel Silveira publicou um vídeo em suas redes sociais ameaçando manifestantes contra o governo. “Tem muito policial armado nessas manifestações que um de vocês vai achar o de vocês. Na hora que vocês tomarem uma no meio da testa, no meio do peito, e cair o primeiro, vocês vão entender o que vocês estão se metendo”, disse o parlamentar, que afirmou em seguida estar esperando por esse momento.

“Eu tô torcendo para isso. Quem sabe não seja eu o sortudo. Vocês me peguem na rua em um dia muito ruim e eu descarregue minha arma em cima de um filho da puta comunista que tentar me agredir. Vou ter que me defender, não vai ter jeito. E não adianta falar que foi homicídio, foi legítima defesa. Tenham certeza: eu vou me defender”. /VÍTOR MARQUES, BRUNO RIBEIRO, HAIRTON PONCIANO, ALESSANDRA MONNERAT E BIANCA GOMES

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