O dinheiro na cueca e a reeleição de Alcolumbre

O dinheiro na cueca e a reeleição de Alcolumbre

Coluna do Estadão

16 de outubro de 2020 | 05h00

Davi Alcolumbre. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Como efeito colateral do episódio do dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), Davi Alcolumbre se enfiou numa saia-justa. O presidente do Senado, que busca o apoio de seus pares e de ministros da Corte para se manter no comando da Casa, terá de decidir se desagradará a senadores ou ao ministro Luís Roberto Barroso e alguns de seus colegas de STF. Nos grupos de WhatsApp de parlamentares, tem sido amplo o apoio a Rodrigues, afastado do cargo pelo ministro. A decisão monocrática foi considerada afronta ao Parlamento.

Apoio 1. Ângelo Coronel (PSD-BA), por exemplo, chamou a decisão de “afoita” e “midiática”. Mecias de Jesus (Republicanos-RR) classificou o afastamento do colega de “fato institucional da maior gravidade”. Até a oposição entrou no meio: Jean Paul Prates (PT-RN) disse concordar com os colegas no grupo.

Apoio 2. “Não tem nada que desabone Chico Rodrigues. Espero que o Davi realmente tome providências e dê amparo legal ao nosso amigo e companheiro”, disse em áudio no grupo de senadores Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

CLICK. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) disse, enquanto aguardava o início de uma missa, sobre Rodrigues: “Se eu puder ser um bálsamo nesse ferimento, serei”.

Reprodução

Para lembrar. Há uma ação no STF, sob relatoria de Gilmar Mendes, que questiona a possibilidade de reeleição à presidência das Casas. Como a Coluna antecipou, a advocacia do Senado alega ser possível e tratar-se de uma questão “interna corporis”.

Calma. Repercussão também na Câmara: “Afastar um senador por decisão monocrática e antes da denúncia não tem guarida na Constituição. Ministro não pode estar preocupado só com “likes”, mas com a Constituição”, afirma Marcelo Ramos (PL-AM).

Calma 2. “A conduta do senador Rodrigues tem de ser apurada e, se comprovada como ilegal, ser duramente punida, mas dentro dos limites da lei e da Constituição”, completa Ramos.

Vixe. Para ampliar a sensação de afronta ao Legislativo, não foram poucos os parlamentares que viram na decisão do STF de manter a prisão de André do Rap uma “reescritura da lei” pela Corte, em gesto claro de ativismo judicial.

Vixe 2. A despeito da enorme capivara de André do Rap e de sua periculosidade, o episódio começou e terminou mal para STF com a “mudança” do artigo 316 do Código Penal, aprovado pelo Congresso e sancionado por Jair Bolsonaro.

Luz. A “estreia” pra valer de Luiz Fux no plenário como presidente do STF foi bem ao estilo do ministro: sob fortes holofotes.

SINAIS PARTICULARES.

Luiz Fux, presidente do STF

Reta. O encurtamento da distância entre Celso Russomanno e Bruno Covas na mais recente pesquisa Ibope deu gás aos tucanos na meta de ultrapassar o candidato do Republicanos para transformá-lo em alvo preferencial da turma do segundo pelotão com chances de vaga no turno decisivo.

Receita. A dificuldade de Russomanno em crescer levou estrategistas do “bolsonarismo digital” a dobrar a aposta: se começar a derreter, a única chance do candidato será radicalizar o discurso para chegar ao segundo turno da eleição.

No… Apesar de resistirem à transparência, os partidos políticos podem se ver diante de uma mudança na prestação de contas em pleno período eleitoral.

…radar. No próximo dia 20, o plenário do TSE vai analisar uma ação da Transparência Brasil e da Transparência Partidária que pede a divulgação mensal dos extratos bancários das legendas. Hoje, isso ocorre uma vez por ano apenas.

A ver. O relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão, deu parecer favorável e deve ser acompanhado por colegas do tribunal.

PRONTO, FALEI!

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Álvaro Dias, senador (Podemos-PR): “O STF decidiu suspender a liminar que soltou o traficante André do Rap. Mas, agora que o bandido está foragido, como farão para devolvê-lo à cadeia?”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA.

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