Mesmo com troca no comando, força-tarefa de Curitiba ainda vê futuro incerto

Mesmo com troca no comando, força-tarefa de Curitiba ainda vê futuro incerto

Marianna Holanda e Mariana Haubert

01 de setembro de 2020 | 22h20

Deltan Dallagnol. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Mesmo com a troca no comando da força-tarefa da Lava Jato por um nome considerado mais discreto e palatável aos críticos (sai Deltan Dallagnol, entra Alessandro Fernandes Oliveira), a força-tarefa de Curitiba ainda avalia que o futuro da operação é incerto. Uma decisão liminar do Conselho Superior do MPF acabou prorrogando por mais um ano a estrutura da Lava Jato, mas procuradores de Curitiba, apesar de terem celebrado, viram com ceticismo a decisão – afinal, a prerrogativa de renovação é do procurador-geral, Augusto Aras.

Tic-tac. A conselheira Maria Caetana Cintra dos Santos concedeu a liminar nesta terça-feira, 1, mas o submeteu o tema para ser referendado no Conselho. Para procuradores de Curitiba, o PGR deve replicar o que tem feito com outras operações, como a Greenfield ou a Lava Jato de São Paulo: renova por período curto e com estrutura bem menor (menos procuradores exclusivos).

Taokey? Aliás, se Aras decidir prorrogá-la na íntegra, passa o recibo de que o problema era mesmo com Deltan Dallagnol, dizem interlocutores do procurador.

Lenta, gradual e segura. À Coluna, o novo coordenador da força-tarefa de Curitiba diz que: “Não há qualquer pretensão de mudança drástica. A gente faz mudanças no processo natural de discussão e auto-reflexão interno, e isso ocorreria independente de quem estivesse na coordenação”.

Copo meio vazio. Conselheiros do CNMP críticos ao lavajatismo comemoraram a saída dele da força-tarefa: “dia histórico”. Acreditam na tese de que, pressionado pelo placar negativo na última sessão, decidiu sair com sobrevida.

Copo meio cheio. Um aliado de Dallagnol avalia que, de fato, ele saiu por cima. E melhor: o polêmico pedido de remoção perde o objeto e a pressão no caso de atuação político-partidária, que será redistribuido para Gilmar Mendes no STF, perde força, avalia.

Balde… A saída de procurador do comando da força-tarefa foi vista por analistas políticos como uma pedra no caminho das pretensões eleitorais dos chamados “lavajatistas”, inclusive do próprio Deltan e de Sérgio Moro.
…de água fria. Assim, a principal vertente política que poderia fazer sombra aos bolsonaristas se enfraquece às vésperas das eleições municipais. Para 2022, o cenário pode ser ainda pior caso a operação perca fôlego político.

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