Líderes projetam Moro refém do presidente

Líderes projetam Moro refém do presidente

Coluna do Estadão

11 de junho de 2019 | 05h00

Jair Bolsonaro e Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Líderes importantes do Congresso avaliam que a divulgação de mensagens envolvendo Sérgio Moro pode abalar um dos principais pilares de sustentação popular do governo Jair Bolsonaro (as manifestações de maio passado ovacionaram Moro). Esse apelo público dificulta uma eventual substituição do ministro da Justiça pelo Planalto. Ele deverá permanecer na Justiça, apostam. Porém, nessa leitura dos parlamentares, o Moro que chegou a Brasília emprestando prestígio a Bolsonaro deixará de existir. O ex-juiz da Lava Jato deverá ser refém do presidente.

Atrito. Na magistratura e no Ministério Público, reações divergentes e um consenso: o desgaste é certo. Há tensão com a classe política desde o início da Lava Jato. Além disso, o projeto de abuso de autoridade ganhou força no Congresso.

Normal. Magistrados ouvidos pela Coluna se dividiram entre temor com acusações de imparcialidade e defesa de Sérgio Moro. Segundo um desembargador, quando existe afinidade de princípios entre o juiz e o representante do Ministério Público, é natural a troca de informações.

Complicado. Mas um juiz federal provocou: “Imagina se fosse o contrário: juiz conversando com defesa?”.

Espeto de pau. Chamou a atenção entre os mais rodados a confiança de Moro e de Deltan Dallagnol no aplicativo de mensagens.

Xiii. O episódio envolvendo Moro respingará no pacote anticrime do ministro, avaliam parlamentares experientes. Quem queria postergar a análise conseguiu um álibi. Votação no plenário deve ficar só para o segundo semestre mesmo.

Vai falar?. Candidata à recondução na PGR, Raquel Dodge está sendo cobrada por procuradores a se manifestar sobre o episódio.

Apoio… O procurador regional Vladimir Aras, tido como candidato da Lava Jato na eleição da PGR, defendeu os colegas e disse que a captura das mensagens tem origem ilegal.

…aos colegas. “O indivíduo que capturou e forneceu os dados é um assaltante eletrônico. Fico a imaginar quem contratou um hacker para isso”, disse.

SINAIS PARTICULARES
Samuel Moreira, relator da reforma da Previdência (PSDB-SP)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Retrato… Mesmo antes do decreto da flexibilização da posse de armas, um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz, a pedido da Coluna, mostra que a proporção de mulheres mortas em casa acompanhou o aumento de cidadãos com direito à posse.

…violento. Em três anos, o número de cidadãos armados legalmente cresceu 17,9%, e os homicídios de mulheres em casa, 26,2%. Foram cruzados dados da Polícia Federal, de armas registradas em nome de civis, com os do Atlas da Violência, de 2014 e 2017.

CLICK. O líder do PDT no Senado, Weverton Rocha (MA), fez um flyer como convite para o São João no seu gabinete. Vai ter decoração, comida típica e música.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Muita calma. O relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), vive dias de intensa pressão. Quem acompanha o trabalho aposta que os Estados e municípios permanecerão dentro da PEC.

Sem clima. O fato de Onyx Lorenzoni ter cancelado o comparecimento à CCJ, mesmo convocado, tem uma explicação para os membros: não tem clima. O Senado deve derrubar o decreto das armas no mesmo dia em que o ministro iria defendê-lo na Câmara.

PRONTO, FALEI!

Flávio Dino. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Flávio Dino, governador do Maranhão (PCdoB): “Vejo duas hipóteses: ou regime nacional ou autonomia para os Estados e municípios. Não tem como o Congresso decidir como a Assembleia vai votar”.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU NAIRA TRINDADE

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