Divulgação do vídeo de reunião ministerial reduz desgaste de Bolsonaro, diz pesquisa

Divulgação do vídeo de reunião ministerial reduz desgaste de Bolsonaro, diz pesquisa

Coluna do Estadão

29 de maio de 2020 | 05h00

Reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros no dia 22 de abril. Sérgio Moro citou vídeo desse encontro como prova da tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal Foto: Marcos Corrêa/PR

Com a divulgação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da reunião ministerial do dia 22 de abril, Jair Bolsonaro conseguiu reverter parte do desgaste na sua imagem, causado pela tumultuosa demissão de Sérgio Moro. Essa é a leitura de duas pesquisas feitas pela consultoria Atlas Político antes e depois do vídeo. O estudo mais recente mostra, inclusive, que os mais fiéis aumentaram um pouco: 12,9% dos entrevistados acham que a saída do ex-juiz da Lava Jato melhora sua avaliação sobre Bolsonaro; 31,2%, que não altera; e 52,7%, que piora. Antes de a reunião vir a público, os números eram, na ordem: 4,2%, 27,8% e 66,1%. Os demais respoderam que não sabem.

Pera lá. Questionados se concordam com as críticas feitas pelo ex-ministro ao presidente, 27,3% disseram que não e 63,8%, que sim. Antes do vídeo, eram 19,1% e 72%, respectivamente.

Traduzindo. Para o cientista político Andrei Roman, do Atlas Político, a conclusão é que o centro está reduzindo e, portanto, está aumentando a polarização.

Metodologia. A pesquisa foi feita online, com 2 mil pessoas, entre os dias 24 e 26 de maio. A margem de erro é de dois pontos porcentuais. A pesquisa anterior foi feita em abril, depois da demissão de Moro.

Free… Em mais um sinal de desgaste interno de Augusto Aras, procuradores estão se mobilizando por um abaixo-assinado para garantir a “independência do MPF na Constituição”.

…PGR. Já foram coletadas pelo menos 265 assinaturas de procuradores que defendem a obrigatoriedade de se seguir a lista tríplice.

Demora. A Confederação Nacional da Indústria encaminhou à Casa Civil um pedido para que o governo acelere o envio do Acordo de Facilitação de Comércio do Mercosul ao Congresso, assinado em dezembro.

No bolso. Cálculos da CNI mostram que a promulgação do acordo significará uma redução de cerca de US$ 500 milhões com pagamentos de taxas por ano para países do bloco.

The flash. De acordo com a entidade, o Brasil demora, em média, quatro anos para promulgar acordos negociados com outros países e ressalta que a medida é muito importante neste momento de forte crise econômica causada pela pandemia de covid-19.

CLICK. Contrariando as recomendações da Saúde, Abraham Weintraub abraçou o blogueiro Allan dos Santos em gesto de solidariedade por ele ter sido alvo da PF.

REPRODUÇÃO/TWITTER

De olho… Ex-ministro da Defesa, Raul Jungmann afirmou que há uma “dificuldade crescente” de separar as Forças Armadas dos militares que hoje estão no poder. Mas reforçou que a instituição não está inserida no jogo da política.

…na lei. “De modo algum estão envolvidas em tentativa não constitucional de encontrar qualquer saída, seja o que for. O papel delas é de buscar a estabilidade”, disse à Coluna.

Ops. O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, chamado de “melancia” por Bolsonaro, deu razão ao presidente no embate com o STF. “Estamos vivendo a ditadura da toga no Brasil. Isso é inadmissível”, disse, reforçando que fala só por si.

SINAIS PARTICULARES.

Jair Bolsonaro, presidente da República

KLEBER SALES

Calma. A mensagem de paz levada por Davi Alcolumbre a Jair Bolsonaro foi referendada por senadores como um “ultimato”. Parlamentares de diversos partidos acham que o presidente radicalizou e que a tensão entre os Poderes chegou ao limite. Avaliam ser preciso ir além das conversas.

PRONTO, FALEI!

Janaina Paschoal. FOTO: SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Janaína Paschoal, deputada estadual (PSL-SP): “Creio que o presidente não deva chamar para si nada que diga respeito ao inconstitucional inquérito das ‘fake news’. Cada um que cuide da sua defesa.”

COM REPORTAGEM DE MARIANA HAUBERT (INTERINA) E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA. (O EDITOR ALBERTO BOMBIG ESTÁ EM FÉRIAS). 

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