Bancada evangélica quer delimitar homofobia

Bancada evangélica quer delimitar homofobia

Coluna do Estadão

25 de fevereiro de 2019 | 05h00

Crédito: Wilson Pedrosa/Estadão

Preocupado com abalos na base durante a tramitação da reformada Previdência, o Planalto avisou a bancada evangélica: não será obstáculo à reação ao julgamento do STF que deve criminalizar a homofobia. Os evangélicos ensaiam apresentar projeto especificando o que seria passível de punição. Há consenso de que agressões, físicas ou verbais, não serão toleradas. Mas querem preservar a liberdade religiosa de se negarem a realizar uniões homoafetivas ou para poderem continuar pregando que relação entre pessoas do mesmo sexo é pecado.

Um passo de cada vez. A ideia de representantes da bancada é aguardar o resultado no STF para “modular” o que vier do Judiciário. O julgamento foi suspenso com quatro votos favoráveis a enquadrar a homofobia como uma forma de racismo.

Tem aval. Um representante da bancada evangélica e um líder religioso receberam sinalização do Palácio do Planalto de que o governo apoiará a iniciativa.

Compromisso. Para o núcleo mais próximo de Jair Bolsonaro não é bom provocar abalos sísmicos na relação com os evangélicos no momento em que o governo busca apoio para alterar a Previdência.

Exército. Na reunião ministerial de amanhã, Paulo Guedes (Economia) fará uma apresentação especial aos colegas para municiá-los de argumentos pró-reforma da Previdência.

SINAIS PARTICULARES
SÉRIE NOVOS LÍDERES DO CONGRESSO
Daniel Coelho,
líder do PPS na Câmara

Crédito: Kleber Sales.

Enquanto isso. Também amanhã, o secretário de Previdência, Rogério Marinho, estará no Congresso conversando com deputados. Um aliado do governo alerta que o ideal era ter invertido o script e mandado Guedes antes para o Congresso.

Excel. Enquanto monta sua planilha de possíveis apoios, o Planalto espera atrair o PSDB quase por inércia, já que a reforma da Previdência é bandeira histórica dos tucanos, e pela disposição do governador João Doria (SP) em ajudar.

No mesmo barco. A bancada do Democratas também já está computada como uma das que não deverá entrar no toma lá, dá cá. “O DEM sabe que tem responsabilidade com o governo”, diz Pedro Lupion (PR).

Tô facim. Apesar de emitir sinais contrários, o PRB, por força gravitacional no sistema solar político, deve se acertar com o governo.

Foco. O procurador da República Ivan Marx reuniu-se na última terça-feira com a procuradora-geral, Raquel Dodge, para pedir reforço no âmbito da Operação Bullish, cujos alvos são os irmãos Wesley e Joesley Batista. A operação investiga fraudes no BNDES.

Agenda.  Na próxima semana, ele será desonerado de seus ofícios para se dedicar exclusivamente ao caso.

CLICK. O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), usou a conta pessoal no Twitter para comentar a “perda de privacidade” depois de se tornar assunto de palavras cruzadas.

Twitter Og Fernandes/ Reprodução

Novidade. O deputado Helder Salomão (PT-ES) quer criminalizar demissões por “motivo ideológico” com o objetivo de resguardar professores em universidades. A pena para o crime seria de três meses a um ano de prisão e multa.

Virtual. A Associação Nacional de Certificação Digital quer ingressar na consulta feita ao TSE pelo deputado Jerônimo Goergen sobre a possibilidade de recolher assinaturas por meio digital para criar partidos. O MBL aguarda essa análise para decidir se vira partido.

BOMBOU NAS REDES

Deputada estadual Janaina Paschoal. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Janaína Paschoal, deputada estadual (PSL-SP): “Partidos se unindo para inviabilizar nossa vitória. Agora, até as lives querem proibir! Por quê?”, sobre projeto que quer vetar transmissões ao vivo na Assembleia

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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