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CPI da Covid: veja como foi o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo

Ex-ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro foi questionado sobre declarações polêmicas sobre pandemia e China

Demitido em março deste ano após pressão do Congresso e críticas por sua atuação na pandemia do coronavírus, o ex-chanceler Ernesto Araújo foi ouvido nesta terça-feira, 18, pelos senadores da CPI da Covid.

 

Um dos principais temas de sua audiência foi a relação do Brasil com a China durante seu tempo no comando do Itamaraty. Ele afirmou que não fez declarações "antichinesas" e foi confrontado pelo presidente da comissão, Omar Aziz.

 

“Não entendo nenhuma declaração que eu tenha feito como antichinesa. Não houve nenhuma que se possa qualificar como antichinesa. Não houve impacto”, disse Ernesto Araújo. Nos pouco mais de 800 dias à frente do Itamaraty, o ex-ministro acumulou declarações polêmicas sobre a doença, entre elas a o uso do termo “comunavírus”. Relembre mais frases polêmicas.

 

"Dizer que o senhor nunca se indispôs com a China, o senhor está faltando com a verdade. Falou em 'comunavírus'. Até bateu boca com o embaixador chinês”, disse Omar Aziz.

  

Veja a agenda da semana na CPI da Covid:

18/05 - Ernesto Araújo, ex-ministro das Relaçõe Exteriores

19/05 - Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

20/05 - Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde

 

Assista à sessão da CPI da Covid com depoimento de Ernesto Araújo:

 

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  • 16h52

    18/05/2021

    Presidente Aziz encerra reunião da CPI

     

    Ainda faltando 8 senadores para questionarem o ex-chanceler Ernesto Araújo, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, encerrou a sessão por conta da início da Ordem do Dia no plenário do Senado.

  • 16h44

    18/05/2021

    Compromisso para combater fake news na pandemia não foi assinado pelo Brasil porque 'poderia afetar a liberdade de expressão', disse Araújo

     

    Em junho de 2020, mais de 130 países estabeleceram um compromisso para combater as fake news sobre a pandemia do covid-19. O Brasil não assinou esse compromisso. A senadora Leila Barros (PSB-DF) novamente questionou Araújo porque o governo não assinou.

     

    O ex-chanceler disse não ser a favor de disseminação de notícia falsa e que “o que prevalece é a legislação nacional. Existem instrumentos legais no Brasil para tratar de fake news. Esse foi um elemento de pressão para países adotarem instrumentos que podem afetar a liberdade de expressão, sem que isso passasse pelo Congresso Nacional”, justificou Araújo.

  • 16h41

    18/05/2021

    'Há um grande exagero de se antecipar 2022', diz Flávio Bolsonaro

     

    O senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, afirmou em fala na CPI da Covid que há um "grande exagero" de se antecipar 2022. Ele afirmou ainda que alguns "não aceitaram" o resultado das urnas. "O mundo inteiro está à procura do mesmo produto em escassez. Brasil, com muito orgulho, é o quarto país que mais vacina no mundo. Alguns ainda não aceitaram os resultados das urnas", afirmou o senador. 

     

    Segundo Flávio, o que se vive na CPI é o "negacionismo do óbvio". "Os fatos estão colocados, o óbvio está posto. Hoje temos internet, meios alternativos que inviabilizam que o monopólio das narrativas fiquem só com os veículos de comunicação. Bolsonaro disse que no caso dele, se pegasse o covid, o resultado seria uma gripezinha. E, graças a Deus, foi", afirmou ele.

  • 16h28

    18/05/2021

    Bolsonaro só falou em comprar a vacina da Pfizer em fevereiro, diz Ernesto Araújo

     

    BRASÍLIA - Depois de se contradizer em relação as demandas do presidente Jair Bolsonaro na pandemia, o ex-chanceler Ernesto Araújo disse em depoimento à CPI da Covid que nas reuniões ministeriais dais quais participou a compra de vacinas para a covid-19 não era discutida especificamente. A exceção foi o encontro que ocorreu em fevereiro ou março deste ano, quando se teria debatido o contato de Bolsonaro com a Pfizer. "Com exceção em março ou fim de fevereiro onde se decidiu que o presidente faria contato com presidente da PFizer para obtenção da vacina da Pfizer. Foi reunião onde o presidente disse 'sim, quero falar com o presidente da Pfizer'", relatou Araújo.

     

    Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) destacaram a demora do assunto vir à tona nas reuniões ministerial, lembrando que a farmacêutica enviou carta a Bolsonaro em setembro do ano passado falando de uma oferta feita ao Ministério da Saúde que continuava sem resposta.

     

    "Em diferentes reuniões ministeriais surgiu o tema da Covid. O presidente falava das preocupações com a pandemia, diferentes aspectos, inclusive aspecto econômico, de saúde, vacinas, mas orientações específicas para atuação do Itamaraty, negociações, vinham do Ministério da Saúde", disse Araújo.

     

    O ex-chanceler ainda rejeitou o entendimento de que agressões feitas pelo presidente Jair Bolsonaro a outras nações teriam prejudicado as relações externas do Brasil. A questão foi colocada pelo senador Alessandro Vieira. Para Araújo, os prejuízos na imagem do País no exterior são resultado de interpretações internas "equivocadas" que procuram "criar imagem de ameaça a democracia no Brasil".

     

    "Também de que haveria política de afrontamento aos direitos humanos, que é falso, e que haveria uma política deliberada de destruição ambiental. Isso com base em interpretações equivocadas que conduziram a um problema de imagem no exterior, e não falas do presidente da República", disse Araújo, segundo quem a pandemia tem sido usada em alguns casos como pretexto para que se ataque as liberdades no Brasil e no mundo.

     

    Vieira também questionou o ex-chanceler sobre uma afirmação feita em janeiro deste ano, de que "a biopolítica do ‘fique em casa’ talvez esteja ajudando o narcotráfico”. "Estou falando do pretexto da pandemia para determinadas atitudes do controle social. Pudemos observar, aconteceu em alguns lugares do Brasil, durante a pandemia houve aumento de criminalidade. Pretexto do uso da pandemia para cercear determinadas atividades de combate ao crime, me parece que isso esteve presente", respondeu Araújo, que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores até março deste ano.

     

    Amanda Pupo, Matheus de Souza e Pedro Caramuru

  • 16h05

    18/05/2021

    Araújo disse que EUA procurou Brasil 'discretamente' para oferecer excedente de vacinas

     

    O senador Fernando Bezerra (MDB-PE), suplente da CPI da Covid, perguntou ao ex-chanceler sobre o esforço do Itamaraty para conseguir os excedentes de vacinas dos Estados Unidos. Araújo disse que o governo brasileiro foi procurado “discretamente” pois a Casa Branca queria evitar uma discussão mundial sobre o acesso às vacinas excedentes do país. 

     

    “A embaixada brasileira em Washington estava atenta a isso, e graças aos excelentes contatos com a administração Biden, a Casa Branca, em março, procurou a embaixada discretamente para dizer que teria um estoque excedente. Imediatamente confirmamos o interesse. Os americanos não queriam que houvesse discussão mundial sobre isso”, disse Araújo.

  • 15h51

    18/05/2021

    'Jamais ofendi o embaixador chinês', diz Araújo

     

    O ex-chanceler rebateu acusações de que teria ofendido diplomatas chineses e à cultura do país em geral. Araújo diz que apenas respondeu a declarações do embaixador da China sobre o presidente Jair Bolsonaro e o Brasil. Em diversos momentos durante o depoimento, ele afirmou que as relações com a China não foram afetadas por declarações de Bolsonaro e pela atuação do Itamaraty.

     

    “Jamais ofendi o embaixador chinês”, disse Araújo, que confirmou o envio de nota para a embaixada da China, dizendo que o embaixador “ofendeu o Presidente, fiz uma nota pelo Itamaraty e disse que isso era inaceitável”, referindo-se à resposta do embaixador chinês a um tuíte do deputado Eduardo Bolsonaro.

     

    Araújo respondia a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), que agradeceu a China por parcerias com o Brasil, e ressaltou a adoçãode práticas da medicina tradicional chinesa pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Elaperguntou ao ex-chanceler “o que passava na cabeça” dele quando aprovou as mensagens do Itamaraty direcionadas ao embaixador chinês. 

     

    Fábia Renata

  • 15h39

    18/05/2021

    Estadão Verifica: Venezuela doou oxigênio para Manaus, ao contrário do que afirmam postagens no Facebook

     

    Checagem do Estadão Verifica, realizada em janeiro deste ano, voltou a circular após o tema da doação de oxigênio após o tema da doação de oxigênio pelo governo venezuelano durante a crise no Amazonas ser abordada durante o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo à CPI da Covid. No início do ano circularam falsas publicações no Facebook que afirmavam que a Venezuela não havia doadp oxigênio hospitalar a Manaus.

     

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  • 15h27

    18/05/2021

    'Nunca fui demandado pelo presidente para acelerar conversas sobre vacinas', diz Araújo

     

    O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) perguntou ao ex-chanceler se em algum momento foi demandado pelo presidente Jair Bolsonaro para a compra de vacinas, compra de medicamentos ou se recebeu alguma orientação para não fazer negociação com algum país. 

     

    Por duas vezes, Araújo disse que não recebeu demanda do presidente sobre o assunto. Depois, ao ser questionado novamente, disse que participou de várias reuniões com a participação de Bolsonaro em que se discutiu a gravidade da pandemia e a necessidade de vacinas, e afirmou: “nunca fui demandado pelo Presidente da República sobre as vacinas, a não ser no caso da Índia”.

     

    Disse também que, em fevereiro deste ano, Bolsonaro discutiu com os ministros a aquisição de vacinas da Pfizer. 

     

    “Itamaraty atuava a partir do que era requerido pelo Ministério da Saúde, como no caso da negociação com a Covax e em momentos de pedir aceleração de insumos, de vacinas”, disse Araújo.

     

    Fábia Renata

  • 14h44

    18/05/2021

    TV Estadão: Araújo não fez contato com Venezuela para apoio durante a crise de oxigênio em Manaus

     

     

    Ernesto Araújo não respondeu ao questionamento do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-PE), sobre o papel do assessor Max Moura, do presidente Jair Bolsonaro, na comitiva brasileira a Israel. Ele apenas afirmou que também não era especialista na área e que mesmo assim participou da viagem.

  • 14h38

    18/05/2021

    Araújo diz que ministério não transportou oxigênio por falta de informações técnicas 

     

    Sobre a falta de oxigênio no Amazonas, em janeiro de 2021, o ex-chanceler disse que recebeu pedido do governador do Amazonas, para viabilizar um avião para transporte de oxigênio – mas que o plano não deu certo por falta de informações técnicas para o transporte. Araújo disse que procurou o Chile e os Estados Unidos, que teriam aviões com capacidade para transportar grandes quantidades de oxigênio. 

     

    O avião americano estaria pronto em 24 horas, mas como Ministério da Saúde não enviou as especificações do tipo de cilindro de oxigênio, o transporte não se viabilizou.

     

    Em relação à doação da Venezuela, “assim que chegou a notícia sobre a doação, a Agência Brasileira de Cooperação foi acionada para viabilizar o mais rápido possível a doação. Coloquei funcionários para monitorar, fizemos nosso papel sem nenhum impedimento de natureza política”, respondeu ao senador Eduardo Braga (MDB-AM).

     

    Fábia Renata

  • 14h10

    18/05/2021

    Ex-chanceler não explica participação de assessor do presidente em comitiva a Israel

     

    Ernesto Araújo não respondeu ao questionamento do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-PE), sobre o papel do assessor Max Moura, do presidente Jair Bolsonaro, na comitiva brasileira a Israel. Ele apenas afirmou que também não era especialista na área e que mesmo assim participou da viagem.

     

    Sobre o papel de seu ministério na condução da relação diplomática com a Venezuela na crise de oxigênio em Manaus, Ernesto Araújo afirmou que não fez qualquer tipo de contato com autoridades vizinhas, mas negou que tenha impedido que um avião da FAB pudesse ir buscar o produto.

     

    O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), comentou que bastaria uma ligação do ex-chanceler para que um avião oficial tivesse sido enviado à Venezuela para trazer mais rapidamente os cilindros de oxigênio para o Brasil. "Bastava uma ligação que teríamos salvado vidas." 

     

    Araújo, no entanto, disse que não agradeceu ao governo da Venezuela quando o país vizinho doou cilindros de oxigênio para Manaus, na crise da falta de oxigênio em janeiro de 2021. Ex-chanceler também não explicou por que o governo brasileiro não enviou um avião para buscar os cilindros de oxigênio, que chegaram por via terrestre.

     

    Adriana Ferraz e Fábia Renata

  • 14h02

    18/05/2021

    Araújo diz que não comunicou Bolsonaro sobre carta da Pfizer 

     

    Questionado mais uma vez sobre a carta enviada pela presidência mundial da Pfizer a autoridades brasileiras para consultar o governo sobre eventual interesse em comprar vacinas contra covid-19, , em setembro do ano passado, o ex-chanceler voltou a dizer que teve conhecimento do documento, mas que não tomou nenhuma providência a respeito. Araújo disse à CPI que presumiu que o presidente já estivesse ciente da consulta

     

    "A carta da Pfizer foi endereçada a diversas autoridades. Não comuniquei o presidente da República porque ele já estava como um dos destinatários. Aliás, eu não era destinatário. Presumia que ele já soubesse", disse.

     

    Araújo ainda afirmou que o Ministério da Saúde recebeu o mesmo documento , sugerindo que era a pasta comandada na época pelo general Eduardo Pazuello responsável por responder e tratar do assunto "vacinas". Ao longo de todo o depoimento, o ex-ministro afirmou por diversas vezes a responsabilidade da Saúde e o fato de o Ministério das Relações Exteriores só ter apoiado o processo com "logística".

     

    Adriana Ferraz

  • 13h34

    18/05/2021

    Confusão sobre vacinas

     

    O senador Eduardo Girão (PODEMOS-CE) contestou os dados da vacinação apresentados pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que disse que “médico não pode faltar com a verdade”.

     

    Girão rebateu: “Se o senhor quer a verdade, me ajude a ir atrás do Consórcio Nordeste, do governo da Bahia”. Em outro momento, após ser interpelado, Girão também perguntou se Alencar estava o “ameaçando”.

     

    Os senadores iniciaram uma discussão e por conta disso, o presidente ca CPI, Omar Aziz, suspendeu a sessão por dez minutos.

     

    Fábia Renata

  • 13h17

    18/05/2021

    “Ainda por cima, mente”, diz Otto Alencar (PSD-BA) sobre Araújo

     

    O senador Otto Alencar (PSD-BA) contestou informações prestadas por Araújo sobre a participação do Brasil no consórcio Covax Facility. “Ainda por cima, mente”, disse Alencar

     

    “Não é possível que se ache que a política de saúde no Brasil foi feita de forma correta. Na primeira reunião do consórcio, em abril (de 2020), não tinha um representante do Brasil. Só tomou a iniciativa em junho. O ministro faltou com a verdade”, afirmou o senador.

     

    Diante de declarações de Araújo a favor da compra de vacinas, Alencar também lembrou das declarações do presidente Jair Bolsonaro contrárias à aplicação de imunizantes. “Posso refrescar sua memória: quinze declarações do presidente contra vacina. O senhor concorda?”

     

    Araújo respondeu que não poderia concordar ou discordar das falas de Bolsonaro, mas negou ter dado aval a declarações antivacina. 

     

    Fábia Renata

  • 13h07

    18/05/2021

    Araújo ressalta relação com a Índia para compra de vacinas

     

    Em resposta ao senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que questionou qual foi a contribuição do trabalho do ex-chanceler para a compra de vacinas, Ernesto Araújo novamente afirmou que a China liberou insumos devido à “grande atuação da nossa embaixada em Pequim, coordenada por nós, em Brasília”.

     

    Araújo garantiu também que foi responsável pela liberação de 4 milhões de doses que vieram prontas da Índia. “Minha interlocução pessoal com o chanceler indiano, ainda com restrições a exportação, fez com que o Brasil fosse um dos primeiros a receber vacinas da Índia”.

     

    Integrante da base de apoio ao governo, Girão também perguntou se o ex-chanceler percebia uma “perseguição” ao governo, e Araújo aproveitou para dizer que, para ele, “houve essa tentativa de desmerecer tudo que foi feito”. 

     

    As perguntas de Girão provocaram uma reação do senador Otto Alencar (PSD-BA). “Ele não falou aquilo que realmente aconteceu”, disse Alencar. 

     

    Fábia Renata

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