André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

PSD vê erro estratégico de 'lançar' Meirelles

Na avaliação de aliados e parte da legenda, bancada foi açodada e dificultou articulação pelas reformas; ministro diz que tem de dialogar com sociedade

Pedro Venceslau, Valmar Hupsel Filho e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2017 | 05h00

O “lançamento” da pré-candidatura presidencial de Henrique Meirelles pela bancada do PSD na Câmara dos Deputados não teve o aval do ministro da Fazenda e foi considerado um erro estratégico por aliados próximos a ele e por parte do partido. A ideia inicial da legenda era colocar o nome de Meirelles em evidência em dezembro deste ano, quando o ministro será o protagonista do programa de TV do PSD.

Na avaliação de aliados de Meirelles, a antecipação pode “inflacionar” as articulações com as bancadas em torno da reforma da Previdência e desgastar a relação do ministro da Fazenda com partidos que também têm projetos de disputar o Palácio do Planalto na eleição do ano que vem.

Após Meirelles negar em uma rede social que seja pré-candidato ao Planalto, o presidente do partido, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, disse, em conversas reservadas, que não foi o autor da ideia. Ele afirmou também que o movimento teria sido “precipitado” e que o momento “exige cuidado”.

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Organizador do almoço que “lançou” Meirelles, o deputado Marcos Montes (MG) indicou que o movimento foi ensaiado e discordou da avaliação de que a iniciativa tenha sido açodada. “Os principais partidos já estão com suas candidaturas na rua. O Meirelles não está na rua, mas o PSD está nas ruas com Meirelles”, disse.

Montes afirmou que teve a ideia de organizar o almoço depois de uma conversa com o próprio ministro da Fazenda, por telefone. “Falei com ele sobre a ideia de ele sair candidato. Ele não falou nada externamente, mas a resposta interna foi de que ele queria, sim”, disse.

‘Ambiente’. Depois do encontro, segundo Montes, ele e o ministro se falaram novamente por telefone. Meirelles teria então dito que iria negar a candidatura publicamente. “Cabe a Meirelles negar. E cabe a nós, da bancada do PSD, criar o ambiente político para a candidatura.”

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Também da bancada do PSD, o deputado Rogério Rosso (DF) disse que o “anúncio foi muito precipitado”. “Ele é ministro e está no meio do ajuste fiscal. Lançá-lo candidato agora só gera atrito com outros partidos. O Kassab não deu aval.”

A antecipação da candidatura, porém, foi bem avaliada por outro importante integrante do PSD. “Concordo com a bancada. É natural que, no momento em que começa a se falar em candidaturas, o nome dele seja lembrado”, disse o governador de Santa Catarina, Raymundo Colombo.

‘Diálogo’. Questionado pelo Estado sobre a relação entre uma eventual candidatura e a aproximação com grupos evangélicos, Meirelles afirmou que precisa dialogar com a sociedade para defender a reforma da Previdência. “Faço inúmeras palestras para empresários, banqueiros e investidores. É importante, no entanto, falarmos também para outros setores da sociedade sobre o ajuste fiscal, as medidas econômicas, a reforma da Previdência e demais reformas. A economia afeta toda a sociedade”, disse o ministro.

Meirelles afirmou ainda que dialoga com “aqueles que têm interesse na situação fiscal e na necessidade das reformas para garantir o crescimento sustentado do País”.

Na semana passada, o titular da Fazenda gravou um vídeo destinado a pastores evangélicos, no qual pede uma “oração pela economia”. A mensagem circulou também por grupos de WhatsApp de políticos. Meirelles afirmou na gravação que o País atravessa a maior recessão da história. “Preciso da oração de todos”, disse ele no vídeo. 

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