Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Arquivo
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Arquivo

Para associação de delegados da PF, mea-culpa de Segovia não resolve crise

Um dia após encontro com diretor-geral da corporação, presidente da entidade afirma que desconfiança com interferências em investigações ainda existe

Fábio Serapião, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 11h06

BRASÍLIA - O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, afirmou que há uma crise de desconfiança dentro da Polícia Federal e que isso não se resolve apenas com palavras. A afirmação ao Estado se refere à reunião ocorrida na quarta-feira, 14, entre o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, e representantes dos delegados, entre eles Paiva.

No dia 9, Segovia indicou, em entrevista à agência de notícias Reuters, que o inquérito que apura envolvimento do presidente Michel Temer com esquema de corrupção no Porto de Santos deveria seguir o caminho do arquivamento. As declarações do diretor-geral da PF causaram mal-estar na corporação e no Palácio do Planalto. Pela crise gerada, Segovia afirmou que não vai pedir demissão.

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No encontro de quarta, Segovia teria dito estar arrependido sobre sua fala a respeito do inquérito. O diretor da PF também teria afirmado que irá evitar conceder novas entrevistas e abordar temas relacionados a investigações em andamento. A reação de Segovia foi interpretada como um mea-culpa.

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Para Paiva, o estrago pela afirmação já foi feito, o desgaste continua e apenas palavras, como as ditas na reunião, não resolvem a crise de desconfiança instalada dentro da corporação.

Na quarta, os delegados do Grupo de Inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal, o GINQ, enviaram um memorando ao diretor de Combate ao Crime Organizado, Eugênio Ricas, no qual afirmam que não aceitarão qualquer tipo de interferência nas investigações e prometem tomar as "medidas cabíveis" caso haja alguma intromissão.

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O delegado Cleyber Malta, responsável pelo inquérito dos Portos, faz parte desse grupo. Para o presidente da ADPF, o memorando é um recado claro da crise de desconfiança que existe na PF e demonstra que, se houver algum tipo de interferência, os delegados vão agir. "Essas coisas não se resolvem com uma palavra. Estamos acompanhando os desdobramentos no Judiciário e, principalmente, vendo se algum colega reclama de algo concreto", afirmou o presidente da ADPF.

INVESTIGAÇÃO 

As associações de classe da PF, entre elas a dos delegados, aguardam o desenrolar da situação de Segovia no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Procuradoria-Geral da República (PGR). O diretor-geral se encontra na segunda-feira, 19, com o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, para dar explicações sobre sua entrevista. A expectativa entre os delegados é de que, se o ministro der por encerrado o assunto após o encontro, a crise irá arrefecer. Por outro lado, a situação pode se agravar caso a PGR resolva abrir uma investigação. No despacho em que cobrou explicações de Segovia, Barroso também facultou à PGR a possibilidade de abrir um procedimento caso entendesse ser necessário.

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