Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

'Não sou showman, me apelidaram até de picolé de chuchu', rebate Alckmin

Governador de São Paulo afirma que política brasileira precisa de 'construtores' um dia após FHC elogiar Luciano Huck

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 12h38

BRASÍLIA - Um dia após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmar que uma eventual candidatura do apresentador de TV Luciano Huck seria "bom para o País", o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira, 7, que a política brasileira precisa de "construtores, não gladiadores", em evento realizado em Brasília.

"A crise de representatividade é geral, não é só nossa. Veja o caso do Reino Unido, da Espanha", disse antes de falar de seu perfil. "Não sou um showman. Me apelidaram de picolé de chuchu. Quem quiser ver show, vá ver o gênio do Tom Cavalcante. Precisamos resolver problemas. O Brasil precisa de construtores, não gladiadores."

O tucano discursou em um evento com empresários da construção civil. Em clima de campanha, ele fez promessas na área tributária, política e de segurança pública. Mas o principal ponto de sua fala foram as reformas. Na terça-feira, 6, o governador se encontrou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), no Senado, e ouviu do ex-presidente do partido que o paulista precisa "radicalizar" no discurso reformista. Nesta quarta, Alckmin afirmou que as eleições de 2018 darão "legitimidade" para medidas reformistas e disse que o próximo presidente precisa aproveitar os primeiros seis meses de governo para implantar essas medidas.

"Claro que não é fácil fazer reformas no último ano de governo. As grandes reformas constitucionais, você tem que fazer no primeiro ano, porque quem for eleito vai ter quase 70 milhões de votos. A legitimidade disso é impressionante. Quem for eleito tem que aproveitar os primeiros seis meses para fazer todas as reformas para poder deslanchar", disse.

Alckmin começou o discurso justamente falando da reforma da Previdência e recebeu aplausos dos empresários. "Todo empenho na reforma (da Previdência) agora. Mesmo que não seja o ideal, mas é necessário e importante", afirmou.

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O governador de São Paulo também voltou a criticar a proliferação de partidos para justificar a necessidade de uma nova reforma política após as eleições. "O Brasil vive uma situação absurda. Não é crível ter 35 partidos".

Em segurança, ele comparou os números  de São Paulo com os de outros Estados e falou sobre a diferença entre a política fiscal paulista e a federal.

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O tucano incluiu ainda questões sociais em seu discurso. "O Brasil é profundamente desigual, um dos mais injustos do mundo. É injusto na maneira como arrecada e como gasta os recursos", disse, antes de defender que o País deixe de tributar o saneamento básico. "Saneamento básico é social. Temos uma contradição: nós tributamos água e esgoto. Governo é escolha, nós não vamos fazer mágica, mas vamos tributar outro setor e desonerar o saneamento básico", disse. 

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