Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Jungmann diz que chance de golpe militar é de 'menos um'

Ex-ministro da Defesa e atual ministro da Segurança Pública defendeu a fala de Villas Boâs e disse que 'não vê força política' para retorno à ditadura militar

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 12h33

RIO - O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que, de zero a dez, a chance de se ter um novo golpe militar de 1964 no Brasil é de menos um. A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira, 4, após jornalistas perguntarem ao ministro sobre a repercussão das declarações do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, que usou o Twitter na noite desta terça-feira, 3, para dizer que a instituição compartilha “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia.

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"Não vejo nenhuma força política, à exceção daquelas que são absolutamente minoritárias, propor um retorno ao passado. Ninguém quer isso e isso não tem o menor curso no Brasil, eu posso assegurar", disse, durante um evento nas proximidades da Rocinha para anunciar medidas socioeducativas para a região.

Apesar disso, Jungmann defendeu a fala de Villas Boâs. "O comandante tem efetivamente o respaldo para falar em termos da força. Se ele fala em nome da serenidade e do respeito às regras, eu acho que sim, é correto e bom falar", afirmou.

Jungmann também acrescentou que as Forças Armadas são "um ativo democrático" no Brasil, hoje. "O comportamento das Forças Armadas tem sido impecável em termos de institucionalidade e constitucionalização. Digo isso na qualidade de quem foi praticamente dois anos Ministro da Defesa e conviveu com todos os militares", afirmou.

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De acordo com o ministro, “as palavras do general Villas Bôas representam “a defesa da institucionalidade, a defesa da Constituição e, sobretudo, a nação”.

“Regra do jogo é para ser cumprida e regra do jogo tem que ser aceita”, disse. “Quando, no final, ele (o general Villas Bôas) lembra que o Exército Brasileiro e as Forças Armadas estão atentos ao seu papel institucional, o papel institucional das Forças Armadas está definido na Constituição. O ponto de vista do general Villas Bôas, com quem eu conversei hoje de manhã inclusive, é exatamente de serenidade, de que este momento que nós estamos vivendo ele faz parte de uma situação que o País vive, mas há de passar sempre de acordo com a Constituição e a legalidade”.

Durante uma cerimônia de inauguração em São Conrado, que teve a participação do interventor federal da segurança no Rio de Janeiro, general Braga Netto, um morador da Rocinha levantou uma placa com o dizer: “R$ 1 bilhão intervenção e zero em saúde e educação”, que foi vista pelo interventor. Netto não discursou durante a cerimônia, nem deu entrevistas. 

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