Jornalistas são agredidos por militantes pró-Lula em ato contra prisão

Equipe do Correio Braziliense foi agredida por cerca de 30 pessoas; entidades de defesa à liberdade de imprensa repudiaram ataques

Felipe Frazão  , O Estado de S.Paulo

05 Abril 2018 | 23h14

BRASÍLIA - Militantes pró-Lula agrediram, na noite desta quinta-feira, 5, uma equipe de reportagem do jornal Correio Braziliense que faria cobertura de ato contra prisão do ex-presidente, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília.

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Segundo relatos, o carro onde estavam uma repórter, uma fotógrafa e o motorista foi cercado por manifestantes. Desferindo socos e pontapés contra eles, os agressores – cerca de 30 pessoas – chegaram a quebrar o vidro traseiro do veículo.

A equipe teve que fugir do local. Eles chegaram a se dirigir à 5ª Delegacia de Policia Civil, mas não houve registro de ocorrência, conforme informaram policiais. A equipe retornou à sede do jornal e depois registrou queixa na Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado.  Ninguém ficou ferido.

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O Correio divulgou uma nota em que “repudia veementemente esse tipo de violência e de cerceamento à imprensa, cujo papel fundamental é o de informar a população”.

Um fotógrafo da agência Reuters também foi hostilizado e ameaçado na sede da CUT. Impedido de registrar o protesto, deixou a sede da central. De acordo com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), uma equipe do SBT sofreu ameaças.“Vocês vão sair daqui pro bem de vocês”, teria dito um manifestante.

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A Associação Nacional de Jornais (ANJ) enviou ao Correio Braziliense uma nota repudiando o ataque. O diretor-executivo da entidade, Ricardo Pedreira, que assina a nota, classificou o episódio como "lamentável". "Demonstra uma incompreensão do trabalho jornalístico. A gente espera que o caso seja apurado e sejam tomadas as medidas providências", afirmou.

A Abraji também repudiou as agressões. Em nota, a entidade pediu que os autores dos ataques fossem identificados e punidos. "A violência contra profissionais da imprensa é inaceitável em qualquer contexto. Impedir jornalistas de exercer seu ofício é atentar contra a democracia", comunicou a Abraji.

Os agressores não foram identificados. Dezenas de militantes e sindicalistas se aglomeram dentro e fora da sede da CUT Brasília. Aos gritos de "ocupar e resistir" eles fecharam a passagem de carros na rua em frente. Por volta das 21h30, cerca de 200 militantes estavam em frente à CUT Brasília, na região central do Plano Piloto. Alguns discursavam. A Polícia Militar acompanhava o ato. / COLABOROU ANDRÉ BORGES

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