Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Após prisão de Lula, Parlamento Europeu deve realizar sessão sobre o Brasil

Brasil é um dos poucos países do mundo considerado como 'parceiro estratégico' da Europa e acontecimentos no País têm chamado a atenção da Comissão Europeia

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 14h48

GENEBRA - O Parlamento Europeu poderá realizar um debate sobre a situação política do Brasil e suas repercussões para a relação com Bruxelas. A pedido da bancada de partidos ecologistas, a instituição tomará uma decisão nesta quinta-feira se abrirá sua agenda em Estrasburgo para incluir uma sessão extraordinária para debater a crise brasileira e o comportamento que querem que a Comissão Europeia tenha com Brasília. 

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O grupo, que conta com mais de 50 deputados como o ativista José Bové, deve contar com o apoio de outras bancadas, especialmente as alas de esquerda do Parlamento e que representam a segunda maior força no legislativo europeu. Segundo os cálculos dos ecologistas, mais de 200 deputados devem dar apoio à realização da sessão e do debate.

Caso seja aprovada, a Comissão Europeia terá de enviar um de seus comissários para fazer um declaração sobre a situação no Brasil, seguida por intervenções dos diferentes grupos partidários. 

A decisão de solicitar uma reunião foi tomada depois da prisão do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim de semana. Mas, na Aliança de Partidos Verdes da Europa, seus representantes explicaram ao Estado que o objetivo é de que o debate vá "muito além" da situação do ex presidente. 

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Entre os temas que serão tratados está a intervenção federal no Rio de Janeiro, a morte de Marielle Franco, questões ambientais, política econômica, eleição em outubro e a situação mesmo de grupos indígenas. 

O Brasil é um dos poucos países do mundo considerado como "parceiro estratégico" da Europa e, portanto, os acontecimentos no País têm chamado a atenção dentro da Comissão Europeia. O órgão executivo do bloco, porém, tem se mantido em silêncio diante dos últimos acontecimentos no Brasil. 

Desde a semana passada, diferentes grupos políticos do Parlamento vem se manifestando sobre a situação no Brasil. Representando a segunda maior bancada no Legislativo, a Aliança Socialista e Democrata (S&D) foi o primeiro a se expressar. 

Em nome do grupo, o presidente da S&D, Udo Bullmann, soou o alerta em relação aos acontecimentos no Brasil. "Tem sido um processo muito polêmico", disso. "Estamos preocupados com a possível politização do sistema judiciário no Brasil e rumores sobre uma interferência dos militares", declarou o alemão, membro do SPD, o Partido Socialista da Alemanha.

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"Como uma grande nação democrática, a transparência em todo esse processo é essencial. Não apenas para o futuro do próprio Brasil, mas também para uma relação fortalecida entre o Brasil e a União Europeia", afirmou o deputado. 

O deputado europeu, Ramón Jáuregui, ex-ministro do governo socialista de Jose Luis Zapatero, também se mostrou preocupado.  "Respeitamos as decisões dos tribunais. Mas tememos que o povo brasileiro fique privado de eleição livre. Isso deveria ser considerado por parte dos tribunais, na hora de adotar as medidas judiciais. Pode ocorrer que uma intervenção judicial excessiva acabe privando certos direitos", disse. 

Já os governos europeus tem se mantido uma cautela sobre os acontecimentos no Brasil, alegando que não podem comentar sobre assuntos domésticos. A Comissão Europeia, ainda que acompanhe de perto o que está ocorrendo Brasil, também não emitiu qualquer tipo de comentário. 

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Durante o debate, porém, deputados espanhóis do partido Podemos devem usar a reunião para pedir que a União Europeia suspenda as negociações comerciais com o Mercosul diante da situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Exigimos uma vez mais que a União Europeia paralise todas as negociações com o Mercosul ou com o Brasil que não cumpre com mínimos padrões democráticos, como demonstram os fatos recentes", disse o eurodeputado Xavier Benito, vice-presidente da Delegação UE-Mercosul dentro do Parlamento Europeu. Segundo ele, a Europa não pode se fazer de cega quando "se está violando os direitos humanos, sociais, ambientais e democráticos". 

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