Tiago Cedraz era citado como integrante da Brasil Trade, diz empresário

Tiago Cedraz era citado como integrante da Brasil Trade, diz empresário

Carlos Herz, que negociava petróleo com a Petrobrás, disse à PF que nome filho do ministro do TCU era 'mencionado' pelos lobistas Jorge e Bruno Luz como 'participante' de negócio, que a Lava Jato aponta ter pago propinas a PT e PMDB

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

22 Setembro 2017 | 15h20

O empresário Carlos Henrique Nogueira Herz, integrante da Brasil Trade – sociedade entre corruptos, corruptores e operadores de propinas para desviar recursos de contratos com a Petrobrás, que beneficiaria PT e PMDB com 40% do arrecadado – afirmou em depoimento à Polícia Federal que os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz mencionavam o nome de Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU), como um dos “participantes” do negócio.

“Não conhece e nunca viu tal pessoa (Tiago Cedraz), mas esse nome era mencionado nas reuniões por Jorge Luz e Bruno como uma das pessoas participantes da Brasil Trade”, afirmou Carlos Herz, ouvido no dia 18 de agosto, pela PF, quando foi alvo da 44ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Abate. Suas declarações foram anexadas às investigações nessa quinta-feira, 21.

 

Em depoimento à PF, Cedraz negou fazer parte da Brasil Trade. O advogado afirmou que conheceu Jorge Luz “por intermédio do deputado Anibal Gomes (PMDB/CE)”, antigo aliado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Tiago prestou depoimento na Operação Abate II, fase 45 da Lava Jato, deflagrada em 23 de agosto. A PF descobriu que “TC” e “ST” citado em registros de divisão de propinas na Brasil Trade seria siglas de Tiago Cedraz e de seu sócio Sérgio Tourinho Dantas.

A Lava Jato considera que os dois advogados fazem parte da Brasil Trade, capitaneada pelos lobistas Jorge e Bruno Luz – pai e filho -, presos desde fevereiro, e que tinha a participação de um executivo da empresa norte-americana Sangeant Marine, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, de outro ex-gerente da estatal, Márcio Aché, de um operador do ex-ministro Edison Lobão, do ex-deputado petista Cândido Vaccarezza e de outros empresários e lobistas, entre eles, Carlos Herz. As investigações da Abate I e II tratam de contratos de fornecimento de asfalto para a Petrobrás e também nas negociações de combustíveis.

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“Referência a ambos (Cedraz e Dantas) foram encontradas no próprio documento que estabelecia as diretrizes iniciais do grupo denominado de ‘Brasil Trade’, assim como em outro que estabelecia aparente participação nos lucros a cada um dos envolvidos em oportunidade negocial ainda não identificada”, informou o delegado da Lava Jato Filipe Hille Pace, em seu pedido de buscas na Abate II.

“Embora Sérgio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira sejam advogados, a imunidade profissional não abrange suas atividades, já que aqui há indícios, em cognição sumária, de sua participação em esquema criminoso que envolveu o pagamento de vantagem indevida”, registra o juiz federal Sérgio Moro, ao mandar bloquear R$ 6 milhões dos alvos, em agosto.

 

 

Origem. Carlos Herz trabalhavam com corretagem de petróleo e nega que a empresa tenha sido usada para repasses de propinas. Era sócio da Fonte Negócios e da Encom Trading, uma offshore aberta nas Ilhas Virgens Britânicas, que negociava metais não-ferrosos e teria sido usada para movimentar propinas a agentes públicos.

No depoimento, ele confirmou que particiou da Brasil Trade “em se início” e que a empresa foi criada por Jorge e Bruno Luz. “Foi o nome dado ao empreendimento que era utilizado na tentativa de se realizar negócios com a Petrobrorás.”

Carlos Herz “esclarece que quando viu a forma ou tamanho do que se pretendia fazer com a Brasil Trade”, se retirou do negócio.

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Vaccarezza. Questionado pelo delegado da PF no Rio Samuel de Oliveira Gonçalves sobre reunião que participou na Petrobrás em 2010, com Jorge Luz, Paulo Roberto Costa e Vacarezza, Carlos Herz disse que “foi a única vez que esteve” na estatal com a presença do ex-líder do governo do PT “para tratar da tentativa de negócio com a Petrobrás”. “Não recorda do que foi tratado especificamente na reunião, mas seria uma espécie de lobby.”

Em relatório da Abate, Pace registrou que “existem robustos elementos probatórios de que a atuação criminosa” do ex-líder dos governos Lula e Dilma “na Petrobras não se limitou ao seu suporte político para a contratação da empresa Sargeant Marine pela estatal”. O ex-deputado foi preso por suposta propina de US$ 500 mil oriunda do contrato entre a empresa e a petrolífera para o fornecimento de asfalto.

O delegado entende que “houve, por parte do grupo encabeçado” pelo lobista Jorge Luz, tentativa de envolver Vaccarezza para o sucesso de ao menos três oportunidades de negócios na Petrobrás. Somente em uma das supostas negociatas, as investigações dão conta de uma solicitação de R$ 100 milhões de Vaccarezza enquanto arrecadador do PT.

“Vale dizer, ainda, que, na constituição do assim denominado grupo ‘Brasil Trade’, havia registro de reunião mantida, em março de 2010, entre Jorge Luz e Cândido Vaccarezza, no qual o parlamentar teria solicitado apoio financeiro – propina – na ordem de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais) a partir de negócios que passariam a ser tratados pelo grupo e cujos repasses provavelmente operacionalizados pela empresa offshore de Carlos Henrique Nogueira Herz e Bo Hans Vilhelm Ljungberg”, afirma Pacce. Nas planilhas de negócios e atas de reunião, Vaccarezza recebia o codinome V2.