As anotações do sócio do filho do ministro do TCU alvo da Lava Jato

As anotações do sócio do filho do ministro do TCU alvo da Lava Jato

Polícia Federal analisa duas cadernetas e um bloco de notas apreendidos com o advogado Sérgio Tourinho, que atua junto com Tiago Cedraz; ambos foram alvos da 45ª fase que identificou corrupção em contrato da Petrobrás com empresa norte-americana

Ricardo Brandt e Julia Affonso

21 Setembro 2017 | 12h28

A Polícia Federal recolheu uma série de anotações do advogado Sérgio Tourinho Dantas, sócio de Tiago Cedraz – filho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz -, nas buscas que fez em seu endereço na Bahia, na 45ª da Operação Lava Jato, batizada de Abate II.

São anotações feitas a mão, supostamente por Sérgio Tourinho, em duas cadernetas e um bloco apreendidos pela PF em endereços do advogado. Dantas e Cedraz são investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. Nelas, há o registro de temas relacionados a empreiteiras acusadas de corrupção pela Lava Jato, como Camargo Corrêa, UTC, Braskem, Odebrecht, além de nomes de outros investigados.

Os dois receberam comissão na contratação da empresa americana Sargeant Marine pela Petrobrás, que teve participação do ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara, Cândido Vaccarezza (ex-PT) – preso em Curitiba.

Sérgio Tourinho e Tiago Cedraz seriam, de acordo com a PF, as siglas ‘ST’ e ‘TC’ que constam de planilhas de distribuição de propinas e que foram apreendidas.

“Embora Sérgio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira sejam advogados, a imunidade profissional não abrange suas atividades, já que aqui há indícios, em cognição sumária, de sua participação em esquema criminoso que envolveu o pagamento de vantagem indevida”, registra o juiz federal Sérgio Moro, ao mandar bloquear R$ 6 milhões dos alvos.

A PF fez busca no endereço de Dantas, em Salvador, no dia 23 de agosto. Nesta quinta-feira, 21, cópias de duas cadernetas e um bloco com anotações apreendido do advogado foram anexados ao inquérito policiail pelo delegado Filipe Hille Pace.

Além de nome de empresas e pessoas investigadas na Lava Jato, as anotações do advogado citam partidos, como PP, PSB, entre outros. O material ainda passa por análise pericial na PF.

Sérgio Tourinho e Cedraz têm relação, segundo apura a Lava Jato, com a “empresa “Brasil Trade”, que pode ser a formatação de uma sociedade entre corruptos, corruptores e operadores de propinas, responsáveis por desvios em contratos com a Petrobrás, que beneficiaria PT e PMDB: 40% para os partidos.

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Os dois advogados, que são sócios, fariam parte da sociedade capitaneada pelos lobistas Jorge Luz e Bruno Luz – pai e filho -, presos desde fevereiro, pela Lava Jato. Além deles, a firma tinha participação de um executivo da empresa norte-americana Sangeant Marine, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, de outro ex-gerente da estatal, de um operador do ex-ministro Edison Lobão, entre outros.

“Referência a ambos (Cedraz e Dantas) foram encontradas no próprio documento que estabelecia as diretrizes iniciais do grupo denominado de ‘BRASIL TRADE’, assim como em outro que estabelecia aparente participação nos lucros a cada um dos envolvidos em oportunidade negocial ainda não identificada”, informou o delegado em seu pedido de buscas na Abate II.

As anotações de Sérgio Tourinho são de interesse da PF por poderem guardar dados sobre a corrupção investigada na Abate II e também levar a novas descobertas que transcendam o caso Lava Jato. Além de Vaccarezza, as suspeitas são que outros políticos tinham relação com os negócios do filho do ministro do TCU e seu sócio.

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