Filho de ministro do TCU diz que deputado do PMDB o apresentou a lobista

Filho de ministro do TCU diz que deputado do PMDB o apresentou a lobista

Tiago Cedraz, alvo da Operação Abate II, afirmou não ter ‘crime a confessar’

Ricardo Brandt e Julia Affonso

22 Setembro 2017 | 05h00

Tiago Cedraz. Foto: Reprodução

O advogado Tiago Cedraz afirmou à Polícia Federal que conheceu o operador do PMDB Jorge Luz ‘por intermédio do deputado Anibal Gomes (PMDB/CE)’ – antigo aliado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Tiago, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União, prestou depoimento na Operação Abate II, fase 45 da Lava Jato, em 23 de agosto. As declarações foram tornadas públicas nesta quinta-feira, 21.

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“Reitera que não tem relação com os fatos investigados por isso não tem crime a confessar”, afirmou Cedraz.

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Tiago Cedraz e o também advogado Sérgio Tourinho Dantas são investigados por suposta ligação com o ‘esquema criminoso’ instalado na Petrobrás. Segundo a investigação, os dois teriam atuado junto a estatal para favorecer a contratação de empresa privada e remunerar indevidamente agentes públicos.

Jorge Luz e o filho Bruno Luz estão presos desde fevereiro pela Lava Jato.

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À PF, Tiago Cedraz afirmou que Anibal Gomes agendou agendou um horário em seu escritório e compareceu acompanhado de Jorge Luz e do lobista João Augusto Henriques, também ligado ao PMDB.

“Foi feita uma consulta acerca de um processo que João Augusto Henriques respondia junto ao TCU da época em que havia sido diretor da BR Distribuidora. O escritório do declarante fez a análise do caso, mas não chegou a assumir o caso. Foram feitas apenas orientações. Não chegou a firmar contrato de honorários. Foi entregue apenas uma legal opinion”, narrou Cedraz.

Segundo o advogado, neste dia, Sérgio Tourinho, então seu sócio, entrou na sala ‘e reconheceu seu amigo de longa data’, Jorge Luz.

Tiago Cedraz afirma que, a partir daquele dia, Sérgio Tourinho e Jorge Luz ‘passaram a manter contato frequente’.

“Então Jorge manifestou a Sérgio o interesse de manter uma parceria com o escritório para promover a captação de demandas jurídicas no setor de óleo e gás. No âmbito desta parceria o primeiro assunto trazido por Jorge via Sérgio foi a M and A (aquisição) por uma empresa Argentina (do empresário Cristobal Lopez) de uma refinaria que pertencia à Petrobrás instalada na Argentina”, relatou.

O advogado contou que, durante as tratativas para a aquisição da refinaria, esteve na Argentina ‘acompanhado de colegas de escritório e de representantes das empresas do empresário argentino Cristobal Lopez’. “Foi algumas vezes mas não recorda especificamente da data.”

Cedraz narrou que foi firmado um contrato com a M and A, no qual o escritório era representado por Sérgio Tourinho. O advogado afirmou que a negociação para a aquisição da refinaria ‘não andava’ e ‘emperrou com uma divergência razoável no preço pretendido pelas partes’.

“Nesse momento chegou uma informação vinda de Jorge Luz e Cristobal de que o contrato de honorários do escritório do declarante deveria ser “loteado”, Houve então uma discussão não amigável acerca da impossibilidade de fazer essa “participação” de honorários a terceiros. Não se recorda especificamente dos nomes dos potenciais beneficiados mas se recorda não eram pessoas da Petrobrás”, afirmou.

“Após a negativa do declarante foi surpreendido então com um aditivo contratual com redução de cerca de 80%dos honorários. A partir dessa discussão os contatos com o cliente foram drasticamente diminuídos seguido de uma rescisão contratual não sabendo informar quem, após o escritório do declarante se retirar, continuou a condução do negócio. Sabe que vários meses depois a venda foi concretizada.”

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