‘Se prenderam para delatar, não haverá o prêmio’, diz advogado de Geddel

‘Se prenderam para delatar, não haverá o prêmio’, diz advogado de Geddel

Defesa de ex-ministro afasta a possibilidade de um acordo de colaboração premiada com a Lava Jato; peemedebista foi preso nesta semana

Fabio Serapião, de Brasília, e Fausto Macedo

06 Julho 2017 | 00h39

Geddel Vieira Lima. Foto: Evaristo Sá/AFP

O advogado Gamil Föppel, responsável pela defesa do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), afastou a possibilidade do seu cliente optar por um acordo de colaboração premiada com os investigadores da Lava Jato. Para o criminalista, não há o que delatar, uma vez que seu cliente não cometeu crimes. “Se prenderam para delatar, não haverá o prêmio”, disse Föppel.

Geddel foi preso nesta segunda-feira, 3, sob acusação de tentar obstruir a Operação Lava Jato e, na terça-feira, 4, foi transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a Penitenciária da Papuda, também na capital federal.

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Para o defensor, há uma série de fragilidades no pedido de prisão contra Geddel que poderão reverter decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Criminal do Distrito Federal. Nesta quinta-feira, 6, Geddel ficará frente à frente com o juiz Vallisney em sua audiência de custódia. O juiz pode soltá-lo, escolher uma cautelar diversa da prisão, como tornozeleira ou prisão domiciliar, ou mantê-lo na Papuda.

A prisão foi baseada no depoimento dos executivos da JBS e no relato do corretor Lúcio Funaro, que apresentou ligações de Geddel para sua mulher. Para os investigadores, o ex-ministro tentava evitar que Funaro fechasse um acordo de colaboração.

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O advogado de Geddel cita o fato de Funaro ter dito apenas que estranhou as ligações de Geddel, aponta que a Caixa informou que não houve prejuízo ao banco enquanto Geddel era vice-presidente de Pessoas Jurídicas e que Joesley disse que nunca pagou propina para seu cliente.

Além disso, Gamil Foppel afirma que há uma superposição de investigações, uma vez que tanto a Procuradoria-Geral da República quando a Procuradoria da 1.ª Instância investigam a suposta tentativa de obstrução de Justiça baseada nas conversas entregues pela defesa de Funaro.

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