Procuradoria cobra R$ 4,2 mi de Eduardo Cunha, Henrique Alves e Funaro

Procuradoria cobra R$ 4,2 mi de Eduardo Cunha, Henrique Alves e Funaro

Além dos peemedebistas, também são acusados o cunhado do ex-ministro, e assessores parlamentares por vantagens indevidas que teriam abastecido a campanha de 2014

Luiz Vassallo

30 Novembro 2017 | 05h00

Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

Em denúncia por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa apresentada contra os ex-presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o doleiro Lúcio Funaro e outras cinco pessoas, procuradoria da República no Rio Grande do Norte cobra R$ 4,2 milhões dos acusados. Segundo o Ministério Público Federal, esse é o montante de propinas solicitadas e recebidas pelos peemedebistas no âmbito das eleições de 2014.

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A peça contra o ex-ministro do Turismo e o ex-deputado é embasada nas delações da Odebrecht, do ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Fábio Cleto, do dono da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco, do doleiro Lúcio Funaro e abarcam supostas vantagens indevidas no âmbito das eleições de 2014.

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A peça, assinada pelos procuradores Rodrigo Telles e Fernando Rocha, dá conta de que os peemedebistas pegaram, em setembro de 2014, propinas de R$ 3,5 milhões do doleiro Lúcio Funaro oriundos de ‘de esquema de corrupção e lavagem de dinheiro implantado por ambos os ex-Deputados Federais na Caixa Econômica Federal, entre os anos de 2011 e 2015’.

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“Os valores ilícitos foram disfarçadamente recebidos, em Natal/RN, de acordo com as orientações de Arturo Silveira Dias de Arruda Câmara, por dois assessores do então Deputado Federal, José Geraldo Moura da Fonseca Júnior e Paulo José Rodrigues da Silva, os quais, agindo livre, consciente e voluntariamente, encarregaram-se de destinar as quantias à compra de apoio político”, sustentam.

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Os procuradores ainda acusam Cunha e Alves de pegarem mais R$ 600 mil ainda em setembro de 2014, de Funaro. “O dinheiro foi disfarçadamente recebido, em Brasília/DF, de acordo com as orientações de Henrique Eduado Lyra Alves, por um assessor do então Deputado Federal, Norton Domingues Masera, o qual, agindo livre, consciente e voluntariamente, encarregou-se de fazer as quantias chegarem clandestinamente à campanha eleitoral do parlamentar”.

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O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte ainda vê outro repasse do doleiro, no valor de R$ 135 mil ‘mediante o custeio de despesas com a locação de um helicóptero, pagas por Lúcio Bolonha Funaro, que também agiu livre, consciente e
voluntariamente, em conjunto com os ex-parlamentares’.

Já em outro suposto esquema procuradores acusam Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Alves de pegar propinas de R$ 2 milhões da Odebrecht em troca de lobby pela privatização da ‘privatização da Companhia de Água e Esgoto do Rio Grande do Norte – CAERN, na qual havia interesse da empreiteira em realizar investimento’.

“A solicitação e, especialmente, o recebimento das vantagens indevidas em questão contou com a participação livre, consciente e voluntária de Arturo Silveira Dias de Arruda Câmara, cunhado de Henrique Eduardo Lyra Alves e coordenador de fato de sua campanha eleitoral ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte em 2014. Pelo menos a metade desses valores ilícitos foi disfarçadamente recebida, em outubro de 2014, em São Paulo/SP, de acordo com as orientações de Henrique Eduardo Lyra Alves, por um assessor do então Deputado Federal, Norton Domingues Masera, o qual agiu livre, consciente e voluntariamente”, narra o MPF.

Os procuradores ainda afirmam que ‘essas quantias ilícitas recebidas por Carlos Frederico Queiroz Batista da Silva, assim como outros montantes por ele auferidos por meio da empresa Prátika Locação de Equipamentos Eireli na campanha de Henrique Eduardo Lyra Alves ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte em 2014, foram disfarçadamente repassados, em parte, entre setembro e outubro de 2014, em Natal/RN, por meio da entrega de valores em espécie, a outro assessor do então Deputado Federal, Aluízio Henrique Dutra de Almeida, que, agindo de modo livre, consciente e voluntário, utilizou-os para compra de apoio político’.

Os valores em espécie, segundo a procuradoria, somam R$ 4,1 milhões. Já os passeios de Henrique Alves, a título de campanha, no helicóptero de Lúcio Funaro, custaram R$ 135 mil.

COM A PALAVRA, HENRIQUE ALVES

A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DÉLIO LINS E SILVA JÚNIOR, QUE DEFENDE EDUARDO CUNHA

“A denúncia é aventureira, baseada exclusivamente na palavra de um delator já conhecido por suas inúmeras mentiras, além de já estar abarcada por uma ação penal da décima vara”