PF prende Meire Poza, a contadora do doleiro da Lava Jato

PF prende Meire Poza, a contadora do doleiro da Lava Jato

Alvo da Operação Encilhamento por fraudes de R$ 1,3 bilhão em fundos de previdência de 28 municípios, ela trabalhava para Alberto Youssef, personagem emblemático da investigação sobre o incrível esquema de corrupção na Petrobrás

Luiz Fernando Teixeira e Fausto Macedo

12 Abril 2018 | 12h33

Meire Poza. Foto: Ana Julia Salim

A Operação Encilhamento, deflagrada nesta quinta-feira, 12, prendeu a contadora Meire Poza por suposto envolvimento em esquema de fraudes bilionárias contra sistema de previdiência de pelo menos 28 municípios de 7 Estados. Ela já está na sede da Polícia Federal em São Paulo.

+ PF põe operação Encilhamento contra fraudes de R$ 1,3 bilhão na Previdência de 28 prefeituras

Meire era contadora do doleiro Alberto Youssef, que fez delação premiada na Operação Lava Jato e apontou o elo do esquema de propinas na Petrobrás com o núcleo político – deputados, senadores e governadores.

Ela trabalhava na GFD Investimentos, uma das empresas de fachada do doleiro, usada para lavar dinheiro ilícito e encaminhar propinas a políticos.

Meire não fez delação premiada, mas colaborou com as investigações e se tornou testemunha importante da Lava Jato.

Em outubro de 2015, em entrevista ao Estadão, ela se queixou. “Os amigos sumiram, os negócios minguaram, portas fechadas aqui e ali, vida destruída.”

Nesta quinta, 12, ela foi presa na Operação Encilhamento, que investiga fraudes de R$ 1,3 bilhão no sistema previdenciário de pelo menos 28 municípios.

A ação é a segunda fase da Operação Papel Fantasma, para apurar fraudes envolvendo a aplicação de recursos de Institutos de Previdência Municipais em fundos de investimento. A investigação suspeita que os fundos tem debêntures sem lastro (título de dívida que gera um direito de crédito ao investidor) que ultrapassam R$ 1,3 bilhão.

A operação, que conta com o apoio da Secretaria de Previdência – SPREV, identificou 28 Institutos de Previdência Municipais que investiram em fundos que, por sua vez, direta ou indiretamente, adquiriram os papéis sem lastro.

Segundo a PF, uma empresa de consultoria foi contratada pelos Institutos de Previdência. Há indícios que ‘apontam para corrupção de servidores ligados a alguns Institutos de Previdência’.

Os mandados de prisão, além de outros 60 de busca e apreensão, estão sendo cumpridos em Goiás, Santa Catarina, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais, Rio e São Paulo.

Estão sob investigação 13 fundos de investimento. No segundo semestre de 2016 foi constatada a existência de R$ 827 milhões em apenas oito destes fundos, dinheiro que, segundo a PF, destina-se ao pagamento das aposentadorias dos servidores municipais.

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