PF indicia filhos de Jucá por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa

PF indicia filhos de Jucá por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Ex-deputado estadual Rodrigo Jucá e sua irmã Marina e ainda duas enteadas do senador são alvo da Operação Anel de Giges, deflagrada nesta quinta-feira, 28, para combater suposto desvio de R$ 32 milhões da Caixa em Boa Vista

Luiz Vassallo e Julia Affonso

28 Setembro 2017 | 22h07

A Polícia Federal informou nesta quinta-feira, 28, que indiciou dois filhos do senador Romero Jucá (PMDB/RR), líder do Governo no Senado, na Operação Anel de Giges. Segundo a PF, o ex-deputado estadual Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e sua irmã Marina de Holanda Menezes Jucá foram indiciados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Anel de Giges investiga suposto desvio de R$ 32 milhões por meio do superfaturamento na aquisição da Fazenda Recreio, localizada em Boa Vista e na construção do empreendimento Vila Jardim, do projeto Minha Casa Minha Vida no bairro Cidade Satélite, na capital de Roraima.

Foto: PF

A PF informou que as penas previstas para os crimes atribuídos aos filhos de Jucá chegam até 30 anos de reclusão – em caso de condenação. “As investigações continuam, com análise do material apreendido e apuração do envolvimento de outros integrantes nas práticas criminosas”, destacou o delegado Alan Robson.

Foto: PF

Também são investigadas duas enteadas de Jucá, filhas da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), Luciana Surita da Motta Macedo e Ana Paula Surita Motta Macedo. Elas e os filhos de Jucá foram conduzidos coercitivamente pela PF, por ordem da Justriça Federal.

Foto: PF

O superintendente da Caixa em Roraima, Severino Ribas, é outro investigado.

A PF suspeita das transações decorrentes da venda da Fazenda Recreio para a construção do empreendimento Vila Jardim. Os investigadores miram os procedimentos internos da Caixa de fiscalização e aprovação do empreendimento.

COM A PALAVRA, ROMERO JUCÁ

*Nota à imprensa*
Repudio mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família. Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização.
Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados e nenhuma prova. Só conjecturas.
Em junho de 2016, foi pedida a prisão de um presidente de um poder, de um ex-presidente da República e de um Senador com base em conjecturas. Em setembro agora, por absoluta inconsistência jurídica, o inquérito foi arquivado. Desproporcional e constrangedor, esse episódio poderia ter sido evitado. Bem como poderia ter sido evitado o de hoje. Bastava às autoridades pedirem os documentos anexados que comprovam que não há nenhum crime cometido.
Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juiza federal, que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje.

COM A PALAVRA, A CAIXA

“Com relação à Operação Anel de Giges, realizada nesta quinta-feira (28/09), a Caixa Econômica Federal esclarece que as informações estão sendo repassadas exclusivamente às autoridades competentes.”
“A CAIXA esclarece que mantém contato permanente com as autoridades competentes, prestando irrestrita colaboração com as investigações e operações policiais.”
Atenciosamente,
Assessoria de Imprensa da CAIXA