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Edison Lobão

PF faz buscas na casa de Eduardo Cunha, na Câmara e atinge lideranças do PMDB

Por Andreza Matais, Daniel Carvalho e Julia Affonso

15/12/2015, 07h06

   

Casas dos ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), do senador Edison Lobão (PMDB-MA), do deputado Anibal Gomes (PMDB-CE) e do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, são alvo de operação

ADCO692   BSB -  20/10/2015 - CAMARA / CUNHA  -  POLITICA - Presidente da Câmara deputado Eduardo Cunha  da entrevista ao sair da  reunião com lideres dos partidos, na presidencia da Câmara dos deputados,  em Brasilia.  FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

O presidente da Câmara é investigado na Operação Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 12h25

A Polícia Federal faz nesta terça-feira, 15, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) uma operação de busca e apreensão na residência oficial do presidente da Câmara Eduardo Cunha, em Brasília, na casa do parlamentar, no Rio, e na sede da empresa C3 Produções Artísticas e Jornalísticas, também na capital fluminense. O deputado é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-Geral da República, nas investigações da Operação Lava Jato.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi avisado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, sobre a Operação Catilinárias. O ministro, então, comunicou à presidente Dilma Rousseff.

No início da tarde, o Conselho de Ética aprovou o relatório prévio do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) que pede a continuidade do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara. A admissibilidade foi aprovada, em votação no painel, por 11 votos favoráveis e nove contrários.

A mais recente fase da Operação Lava Jato atingiu em cheio as principais lideranças nacionais do PMDB, partido que está prestes a romper com a presidente Dilma. Foram alvos de ação de busca e apreensão dois atuais ministros de Dilma que vinham dando suporte a ela contra o impeachment: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo).

A operação da PF tem outros alvos: o senador Edison Lobão (PMDB-MA) e uma empresa do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), os deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Áureo Lídio (SD-RJ), o prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PMDB-RJ), o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto (aliado de Cunha e exonerado na semana passada pela presidente Dilma), Aldo Guedes – ex-sócio de Eduardo Campos -, Lúcio Bolonha Funaro – delator do Mensalão -, Altair Alves Pinto – emissário de propina de Cunha, segundo os investigadores – e o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado.

Também foi alvo da operação o ex-gerente executivo de gás natural da Petrobrás Djalma Rodrigues de Souza e o ex-deputado Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ).

PF faz buscas na casa e no escritório de Cunha
Dida Sampaio/Estadão
Lava Jato

PF realizou buscas e apreensão na casa de Eduardo Cunha, em Brasília

A operação Catilinárias cumpre ao todo 53 mandados de busca e apreensão – na Câmara dos Deputados, sede do PMDB em Alagoas, na empresa Estre Ambiental, em endereço relacionado a Wilson Quintela Filho -dono da Estre – na residência dos investigados, endereços funcionais, sedes de empresas, escritórios de advocacia e órgãos públicos – expedidos pelo STF, referentes a sete processos instaurados a partir de investigações da Lava Jato. Os mandados, expedidos pelo ministro Teori Zavascki, estão sendo cumpridos no Distrito Federal (9), em São Paulo (15), no Rio (14), no Pará (6), em Pernambuco (4), em Alagoas (2), no Ceará (2) e no Rio Grande do norte (1).

Três carros da Polícia Federal e sete policiais estão na frente da residência oficial de Cunha. O perímetro foi isolado. O celular de Eduardo Cunha foi apreendido.

Catilinárias são uma série de quatro discursos do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina.

Eduardo Cunha foi denunciado pelo Ministério Público Federal em agosto. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que acusa Eduardo Cunha de ter recebido propina no valor de ao menos US$ 5 milhões para viabilizar a construção de dois navios-sondas da Petrobrás, no período entre junho de 2006 e outubro de 2012.

Celso Pansera foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do esquema de corrupção investigado pela Lava Jato, como “pau mandado” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

O deputado Aníbal Gomes é alvo de quatro inquéritos no STF.  O parlamentar é suspeito de ser ‘interlocutor’ do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que teria usado Anibal Gomes como “interlocutor” dos contatos com a diretoria de Abastecimento da Petrobrás – reduto do PP no esquema de corrupção instalado na estatal.

Alvo de buscas na Operação Catilinárias, o Estaleiro Rio Tietê (ERT) afirmou, em nota, que é ‘o maior interessado na elucidação dos fatos’.

“O Estaleiro Rio Tietê (ERT) informa que membros da Polícia Federal estiveram em suas instalações nesta manhã para cumprir ordem judicial de busca e apreensão. O ERT, como maior interessado na elucidação dos fatos, está colaborando com as autoridades no que for necessário e estiver ao seu alcance.”

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, manifesta pleno interesse no esclarecimento dos fatos sob investigação. Ele se coloca à inteira disposição das autoridades para fornecer quaisquer informações necessárias. E, desde já, abre mão espontaneamente do sigilo constitucional que protege seus dados de natureza bancária e fiscal. Pansera está certo de que o andamento das investigações estabelecerá a verdade.

COM A PALAVRA, O MINISTRO DO TURISMO

“Apesar de surpreso, respeito a decisão do Supremo Tribunal Federal. Estou, como sempre,  à disposição para prestar qualquer esclarecimento que se fizer necessário. ”

Henrique Eduardo Alves

COM A PALAVRA, O SENADOR RENAN CALHEIROS

NOTA À IMPRENSA

O diretório do PMDB Alagoas tem todas suas contas aprovadas e publicadas de maneira transparente.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, informa ainda que, mesmo tendo prestado todas as informações, colocou à disposição quaisquer outros elementos que se façam necessários, bastando uma requisição.

O senador Renan reitera, mais uma vez, que jamais autorizou, credenciou ou consentiu que terceiros falassem em seu nome em qualquer circunstância em qualquer lugar.

Secretaria de Imprensa
Presidência do Senado Federal

 

 

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