PF liga amigo de Temer a fraudes de R$ 1 bi

PF liga amigo de Temer a fraudes de R$ 1 bi

Coronel João Baptista Lima Filho é citado em relatório de investigação da Operação Patmos enviado ao Supremo Tribunal Federal

Rafael Moraes Moura e Breno Pires, de Brasília, e Luiz Vassallo

05 Setembro 2017 | 05h00

A Polícia Federal encontrou, em busca e apreensão em endereços ligados ao coronel João Baptista Lima Filho, no âmbito da Operação Patmos, registros de compras de imóveis com o uso de uma offshore no Uruguai operada por um empresário alvo da Operação Castelhana, que investigou suposto esquema de sonegação fiscal que teria levado a um prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos.

Documento

Coronel Lima é um nome emblemático, muito ligado ao presidente Michel Temer desde os anos 1980, quando o presidente exerceu o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo (Governos Montoro e Fleury Filho).

Assim como Temer, o coronel está sob investigação da PF. O oficial da reserva teria recebido R$ 1 milhãoda JBS, mas o destinatário seria o presidente, segundo investigadores.

O relatório da PF dá conta de que parte dos itens apreendidos ‘fazem referência à offshore Langley Trade Co. AS’.

Entre os documentos, estão escrituras de compra e venda de dois imóveis envolvendo a empresa em paraíso fiscal.

De acordo com o documento, a offshore era operada por José Emílio Gaston Tuneu Mohr, denunciado no âmbito da Operação Castelhana, deflagrada para investigar esquema de ‘blindagem patrimonial’. A Receita Federal chegou a estimar que as fraudes causaram R$ 1 bilhão de prejuízo aos cofres públicos.

Em um dos documentos, uma promessa de venda e compra de imóvel, mostra que coronel Lima comprou da Langley um apartamento, em 1995, quando a empresa de fachada era administrada por José Aparecido da Silva.

Dois anos depois, a offshore passou a ser representada por Emílio Gaston, uruguaio alvo da Castelhana.

Em 2000, o coronel Lima voltou a fazer negócios com a Langley, quando adquiriu justamente o imóvel que foi alvo da busca e apreensão da PF.

Segundo o relatório, ainda foi encontrado um envelope do escritório “CHT Audifores y Consultores”, apontado na Castelhana como uma das empresas uruguaias de Emílio que auxiliavam na ‘blindagem’ das offshores investigadas.

“Observadas as informações apresentadas no item 3.1 deste relatório, considera-se a possibilidade da offshore Langley Trade CO SA ser na verdade de João Baptista Lima Filho e integrar o mesmo esquema denunciado na Operação Castelha. SItuação que colocaria José Aparecido da Silva, CPF 814,013,538-00, como um “Iaranja” de João Baptista Lima Filho”, anotou a PF.

COM A PALAVRA, CORONEL LIMA

A reportagem não localizou o coronel João Baptista Lima Filho. O espaço está aberto para manifestação de sua defesa.