Maior ofensiva contra doleiros mira operadores do MDB

Maior ofensiva contra doleiros mira operadores do MDB

Irmãos Rezinski são alvo da Operação 'Câmbio, desligo', deflagrada nesta quinta, 3, por suspeita de ligação com intenso fluxo paralelo da moeda americana para 'dissimular vantagens indevidas recebidas por políticos'

Luiz Fernando Teixeira, Fausto Macedo/SÃO PAULO e Fábio Serapião/Brasília

03 Maio 2018 | 10h44

Os irmãos Marcelo e Roberto Rezinski, alvos de mandato de prisão preventiva pela Operação ‘Câmbio, desligo’, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 3, ‘recorriam aos serviços dos doleiros com o intuito de dissimular valores provenientes de vantagens indevidas recebidas por políticos do PMDB’. A informação consta da decisão do juiz federal Marcelo Bretas, que deflagrou a nova etapa da Lava Jato. Os Rezinski teriam movimentado, entre 2011 e 2017, R$ 12 milhões.

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É a maior ofensiva já desfechada no País contra o universo dos doleiros. Os maiores operadores do câmbio negro estão sendo presos. Nomes históricos, alguns até então intocáveis, são alvo de mandado de prisão, como a família Matalon, Marco Antônio Cursini, os irmãos Rezinski e Chaaya Moghrabi.

Apenas uma vez a rede secreta dos doleiros havia sido golpeada tão duramente, em 2005, quando a PF prendeu 63 deles na Operação Beacon Hill, desdobramento do caso Banestado – evasão de US$ 30 bilhões.

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O juiz Bretas, titular da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, destaca na decisão que originou o novo desdobramento da Lava Jato que os irmãos ‘participam ativamente da rede transnacional de branqueamento e ocultação de capital operacionalizada no âmago da organização criminosa’.

Roberto Rezinski é indicado na delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o ‘Juca Bala’, e Cláudio Fernando Barbosa, o ‘Tony’, como ‘operador financeiro de pessoas ligadas ao PMDB’ o que, para o magistrado, é ‘outro indicativo de que se trata de movimentação de valores provenientes de ilícitos de corrupção e lavagem de dinheiro.’

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O juiz também traz um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda, que ‘enumera algumas transações suspeitas’ dos irmãos e de suas empresas.

“Conforme apurado pelo Ministério Público Federal, Marcelo é sócio de três pessoas jurídicas, já Roberto consta no quadro societário de onze empresas”, informa a peça, que relaciona algumas movimentações como ‘a aquisição de apólice de seguro por Roberto no valor de R$ 2.131.300,00.’

“Tal compra de título normalmente alerta o COAF, já que aparece como maneira rápida e usual de dissimular altas quantias e repassá-las facilmente. Ou seja, o relatório do COAF vem ao encontro das informações trazidas pelos colaboradores de que os irmãos Rezinski recorriam aso serviços dos doleiros com o intuito de dissimular valores provenientes de vantagens indevidas recebidas por políticos do PMDB”, anota Bretas.

“Em suma, ao que tudo indica os irmãos Rezinski participam ativamente da rede transnacional de branqueamento e ocultação de capital operacionalizada no âmago da organização criminosa, tendo inclusive ciência dos operadores e contato direto, por meio de empresas, com demais pessoas investigadas. Ademais, pelos elementos probatórios obtidos, parece que os irmãos jamais cessaram suas atividades, mesmo após a prisão dos doleiros-colaboradores”, concluiu o magistrado.

A Operação ‘Câmbio, desligo’ cumpre um incrível número de mandados de prisão – 43 ordens de prisão preventiva no Brasil e mais seis no exterior.

A ação visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, ‘responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas’.