Operação C’est Fini prende ex-secretário da Casa Civil de Sérgio Cabral

Operação C’est Fini prende ex-secretário da Casa Civil de Sérgio Cabral

Empresário Fernando Cavendish foi levado para depor; PF cumpre cinco mandados de prisão preventiva, um de condução coercitiva e 14 mandados de busca e apreensão

Fausto Macedo, Julia Affonso e Constança Rezende

23 Novembro 2017 | 06h36

Ex-secretário de Estado da Casa Civil do Rio de Janeiro e braço direito do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, Régis Fichtner. FOTO FABIO MOTTA/ESTADÃO

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 23, na Operação C’est Fini, nova fase da Operação Lava Jato, no Rio. O ex-secretário da Casa Civil Régis Fichtner foi preso.

O empresário George Sadala também foi preso. O empresário Fernando Cavendish, ligado a Delta, foi alvo de mandado de condução coercitiva. Alexandre Accioly foi intimado a depor.

Os mandados de prisão foram expedidos também contra Henrique Alberto Santos Ribeiro, Lineu Castilho Martins e Maciste Granha de Mello Filho.

A C’est Fini mira um esquema no setor de prestação de serviços ao Estado. São investigados os crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Ministério Público Federal, Fichtner teria recebido R$ 1,56 milhões em vantagens indevidas. No esquema, Fichtner teria usado o seu cargo de chefe da Casa Civil para favorecer empresas específicas de outros integrantes do esquema atribuído a Sérgio Cabral.

A Procuradoria da República afirma que as investigações tiveram como base os depoimentos do operador de Cabral, Luiz Carlos Bezerra, que admitiu que as anotações feitas em suas agendas apreendidas pela Polícia Federal referiam-se à contabilidade paralela da organização liberada por Cabral. Nestas anotações, constam os codinomes “Regis”, “Alemão” e “Gaúcho”, que seriam referências a Regis Fichtner.

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Em nota, a PF informou que aproximadamente 85 policiais federais cumprem, nos municípios do Rio de Janeiro e Duque de Caxias cinco mandados de prisão preventiva, um de condução coercitiva e 14 mandados de Busca e Apreensão, todos expedidos pelo Juízo da 7°Vara Federal Criminal.

Segundo a PF, durante as investigações foram identificados elementos indicadores do envolvimento de servidores públicos e empresários no pagamento e no recebimento de vantagens indevidas. Suspeita-se que empresários costumavam procurar o ex-secretário da gestão Sérgio Cabral (PMDB), tido como muito influente, para obter facilidades junto governo estadual. O serviço denominado Poupa Tempo também é investigado.

Sérgio Cabral peemedebista está preso desde novembro do ano passado.

Régis Fichtner e George Sadala foram fotografados, em setembro de 2009, na ‘Farra dos Guardanapos’, em Paris. Sérgio Cabral estava no encontro.

A operação desta quinta é parte da Operação Calicute, que pegou o ex-governador.

A reportagem está tentando contato com os investigados. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, RÉGIS FICHTNER

A reportagem tentou contato com a defesa de Régis Fichtner. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, MACISTE GRANHA DE MELLO FILHO

A defesa informou que não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, O DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO RIO (DER-RJ)

Lineu Castilho Martins ocupa o cargo de assessor técnico do DER-RJ. O governo está avaliando o caso e até amanhã tomará uma decisão.

COM A PALAVRA, ALEXANDRE ACCIOLY

O empresário Alexandre Accioly divulgou nota informando que fez negócios legítimos com o empresário Georges Sadala, com quem tem relação “estritamente pessoal”, e não empresarial, e assegurando que tem “farta documentação comprobatória. Diz a nota: “O empresário Alexandre Accioly informa que prestou esclarecimentos a respeito da venda de um bem imóvel, aquisição de um automóvel e operação de crédito, cujo empréstimo foi integralmente quitado, firmados com Georges Sadala”. O comunicado informa também: “Todas as transações se deram em moeda corrente nacional, amparadas por farta documentação comprobatória – tais como escritura, documentos de compra e venda de bens e respectivas transferências bancárias (TEDs) -, e devidamente reportadas nas declarações de bens de Accioly referentes a cada exercício fiscal em que se verificaram.”

COM A PALAVRA, GEORGES SADALA

O empresário Georges Sadala enviou nota à imprensa em que critica o fato de ter sido preso preventivamente “sem que lhe fosse dada a oportunidade de esclarecer previamente os fatos que lhe são atribuídos, uma vez que jamais foi chamado a ser ouvido pelo Ministério Público Federal ou pela Polícia Federal em inquérito policial ou qualquer procedimento investigativo análogo”, e também sem ter dado indicativos de que não prestaria depoimento se solicitado. Diz a nota que “a prisão de Georges Sadala atende propósito meramente simbólico de alcançar o último personagem do enredo dos guardanapos, o que se evidencia pelo próprio nome dado à operação policial, ‘C’est fini’. Afinal, o empresário teve sua movimentação financeira e a de suas empresas completamente devassadas, não se encontrando qualquer indício concreto de repasses de recursos que lhe são atribuídos por delação isolada e jamais corroborada. O único fato concreto apurado e comprovado – e não negado pelo empresário – é sua amizade com o ex-governador Sergio Cabral, o que, por si só, não remete à prática de crime, nem à necessidade da prisão cautelar, de modo que confia que essa medida extrema será revista pelo próprio Poder Judiciário.”