‘De engenheiro para o Palácio’

‘De engenheiro para o Palácio’

Paulo Vieira de Souza, apontado como arrecadador de campanhas do PSDB, preso na sexta-feira, 6, revelou, em audiência de custódia, seu 'grande poder de influência'

Luiz Vassallo e Marcelo Godoy

10 Abril 2018 | 05h34

Trecho da ata de audiência de custódia de Paulo Vieira de Souza

O ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, apontado como arrecadador de campanhas do PSDB, fez questão de demonstrar seu ‘grande poder de influência’, em audiência de custódia após sua prisão preventiva na Operação Lava Jato, na sexta-feira, 6, segundo afirma o Ministério Público Federal.

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Souza é suspeito de coagir uma mulher acusada no processo que investiga desvio de recursos de R$ 7,7 milhões da Dersa, entre entre 2009 e 2011 (governos Serra e Alckmin). De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, ao menos três ameaças foram recebidas por ela e sua irmã nos últimos dois anos.

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Durante audiência de custódia, a defesa dele ‘suplicou’ para que seja revogada a prisão preventiva. A juíza Maria Isabel do Prado não atendeu, acolhendo pedido dos procuradores Ana Cristina Bandeira Lins, André Lopes Lasmar e Anamara Osório Silva.

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“Ademais, excelência, Paulo Vieira de Souza fez questão de aqui demonstrar neste ato que é uma figura de poder, exerceu o poder e ainda tem poder econômico e político’”, afirmaram os procuradores.

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“E como o próprio disse a esse juízo no dia de hoje: “De engenheiro, foi para o Palácio””, concluíram.

Os procuradores dizem que Souza faz questão de dizer que ‘se tornou uma pessoa de influência’.

O Ministério Público Federal ainda diz que o ex-diretor da Dersa, ‘foi responsável por todas as obras de envergadura no estado, e tem potencial econômico, porque não faz questão de esconder, a despeito de ter exercido uma vida de funcionário público, faz uso de imóveis de luxo no Condomínio Iporanga em Guarujá e na Vila Nova Conceição, para si e para sua família’.

“E ainda exerce poder, tanto assim que, do recebimento da denúncia destes autos até este momento, isto é, no intervalo menor que uma semana, ele falou a esse juízo que obteve, da Dersa, da qual não faz mais parte, e diretamente da secretária do Diretor de Engenharia, Pedro Silva, que parece ser sua própria secretária, documentos relativos à instrução destes autos. Só para constar, excelência, quando a Justiça Pública ou o MPF pedem documentação à Dersa, 10 dias é o prazo mínimo para a resposta”, afirmaram.

Vieira de Souza também teve bloqueados R$ 113 milhões em quatro contas na Suíça pela juíza federal Maria Isabel do Prado. “Constam das informações que em 7 de junho de 2016 as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a 113 milhões de reais, convertidos na cotação atual”, diz o despacho da magistrada.

Em outro inquérito, no Supremo Tribunal Federal, ele é apontado por ex-executivos da Odebrecht, da OAS e da Andrade Gutierrez como operador de propinas na Dersa. Os empresários afirmaram que ele pediu 0,75% de contratos para obras do Rodoanel, Trecho Sul, para abastecer campanhas do partido em 2010.