Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Zema busca apoio de Bolsonaro para obter recursos

Único da Região Sudeste a apoiar presidente, governador de Minas tenta se equilibrar entre combate à covid-19 e alinhamento ao Planalto

Leonardo Augusto / ESPECIAL PARA O ESTADO e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 05h00

BELO HORIZONTE e SÃO PAULO - Com o Estado em péssimas condições financeiras e dependente de um socorro do governo federal para tentar sair da crise, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), se tornou a única base apoio do presidente Jair Bolsonaro no Sudeste. O governador não assinou a carta escrita por chefes dos Executivos estaduais contra as declarações recentes de Bolsonaro sobre os líderes do Congresso. O texto, divulgado no domingo, foi redigido por 20 governadores.

A justificativa para a não assinatura da carta é de que ele quer distância do embate político com o presidente, pois já tem “tantos incêndios para apagar em Minas Gerais, uma crise financeira descomunal”.

O governador tenta se equilibrar entre o combate à covid-19 e um alinhamento maior ao presidente. Bolsonaro defende o afrouxamento das medidas de isolamento social, mas, ao mesmo tempo, é quem pode ajudar Zema a incluir Minas no chamado Regime de Recuperação Fiscal, que possibilitaria ao Estado, por exemplo, renegociar dívidas administradas pelo Tesouro. O governador quer ainda vender à União a estatal Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig). O valor seria de R$ 35 bilhões. A dívida de Minas com a União é de cerca de R$ 100 bilhões.

Zema avalia não haver outra forma de melhorar as finanças do Estado que não passem por caminhos que levam ao governo federal. No dia 9, foi a Brasília se encontrar com o presidente. No mesmo dia, anunciou uma série de medidas para que professores retomassem suas atividades a partir de 4 de maio “em regime não presencial”. No dia 15, as medidas foram derrubadas pela Justiça, depois de ação movida pelos educadores.

Antes da ida a Brasília, em outro aceno ao presidente. Zema não assinou em março a Carta dos Governadores do Brasil Neste Momento de Crise, que criticava o comportamento de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia. Apesar disso, o governador não conseguiu retorno do Planalto.

Enquanto o governador se joga para Bolsonaro, o secretário de Saúde de Minas, Carlos Eduardo Amaral, afirma ser fundamentais as medidas de isolamento social para o combate à pandemia. “É uma estratégia clara, a de reduzir a velocidade da propagação do vírus”. 

A assessoria de Zema, em nota, disse que o governo “mantém discussões com o presidente Jair Bolsonaro para tratar da crise econômica, agravada pelo coronavírus no Estado”. E que, nesse sentido, “o governador apresentou ao governo federal questões relevantes”.

A decisão de Zema de se descolar do bloco de governadores que faz oposição a Bolsonaro conta com o respaldo do seu partido. Para o Novo, o Fórum de Governadores se tornou uma arena política na qual parte dos integrantes busca se cacifar para disputar o Palácio do Planalto em 2022. “Zema sempre defendeu a democracia e se posicionou no domingo, quando criticou a manifestação. Não sei qual é a intenção real desse Fórum. Não sei quanto há de política nele”, afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro.

 "O governador Zema procura não se envolver nesse embate entre os governadores e o presidente. Ele não tem pretensão de se candidatar à Presidência em 2022, enquanto João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ) claramente têm essa pretensão. Parte do que eles fazem é parte do jogo político eleitoral para 2022", disse o deputado Thiago Mitraud (Novo-MG).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.