Gerardo Lazzari / Divulgação
Gerardo Lazzari / Divulgação

'Voto de confiança foi dado, mas não foi retribuído', diz presidente da Abag sobre manifesto

Marcello Brito afirma que entidades não podem se omitir 'em tempos de pressão como agora'

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2021 | 00h16

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, afirmou que "o voto de confiança" dado a integrantes do poder político não foi honrado, embora não tenha citado nomes. A entidade foi uma das que assinou manifesto de organizações representativas de subsetores do agronegócio pedindo pacificação entre os Poderes, e a favor da democracia, nesta segunda-feira, 30.

 "O voto de confiança foi dado, e a confiança não foi retribuída", disse Brito durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. O presidente da Abag afirmou ainda que, neste momento, as entidades não podem se omitir. "Talvez a gente tenha sido condescendente por um tempo longo demais. A omissão não se admite em tempos de pressão como agora."

 A Abag havia confirmado que assinaria um manifesto pela pacificação do País que, entre outras entidades, conta com adesões da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Este manifesto, que levou os bancos públicos Banco do Brasil e Caixa a manifestarem a intenção de deixar a Febraban, teve a publicação adiada. As entidades do agro, porém, divulgaram um texto próprio.

 Brito afirmou que as discussões precisam ser centradas no agravamento da desigualdade social, que tem levado milhões de brasileiros à pobreza e à fome.

 O presidente da Abag reduziu a importância de divergências entre entidades do setor com relação ao governo. Segundo Brito, as entidades que assinaram o manifesto a favor da democracia - a Abag entre elas - olham o Brasil para "além de 2022", mas evitou fazer críticas a órgãos que se manifestaram a favor do presidente Jair Bolsonaro.

 "Eu tenho grandes amigos sojicultores, e a gente senta e conversa. Uns se sentem representados de uma forma, outros de outra", afirmou ele. No começo do mês, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Antônio Galvan, manifestou apoio aos atos de 7 de Setembro, de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Ele foi alvo de operação da Polícia Federal no último dia 20, que investigou suspeitos de envolvimento com a organização dos protestos, que nas primeiras convocações, pediam o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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