Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR

Vamos ouvir governadores, diz Bolsonaro após chamá-los de 'exterminadores de empregos'

Presidente anunciou encontros via videoconferência com executivos estaduais das regiões Norte e Nordeste nesta segunda

Marlla Sabino e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 10h20

BRASÍLIA - Um dia depois de chamar governadores de "exterminadores de empregos", o presidente Jair Bolsonaro pretende se reunir nesta segunda-feira, 23, com chefes dos executivos locais para discutir medidas de combate ao coronavírus. O primeiro encontro, por videoconferência, será com gestores dos Estados do Norte do Nordeste. A previsão é que amanhã ocorra o mesmo com os governadores das demais regiões.

Desde o início da crise causada pela pandemia de covid-19, Bolsonaro tem afirmado que as restrições impostas por governadores como o fechamento do comércio, adotada na maioria do País e defendida pelos especialistas, podem prejudicar a economia e enfraquecê-lo politicamente.

“Tem algumas autoridades que estão ministrando remédio em excesso”, disse o presidente em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada nesta segunda. “A dose do remédio não pode ser excessiva de modo que o efeito colateral seja mais danoso que o próprio vírus”, afirmou.

Ontem, em entrevista à Record, Bolsonaro chegou a dizer que os chefes estaduais estavam “de olho na sua cadeira”. "Os governadores são verdadeiros exterminadores de empregos. Essa é uma crise muito pior do que a causada pelo coronavírus no Brasil", disse o presidente.

A crítica aos governadores é só mais um episódio da relação conflituosa entre o presidente da República e a Federação. Bolsonaro entrou em conflito com governadores ao culpá-los por não baixar o preço da gasolina e ao comparar a morte do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, baleado pela polícia da Bahia, à “queima de arquivo do caso Celso Daniel”.

Nos últimos dias, o presidente divergiu até mesmo de aliados, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). Médico, Caiado foi vaiado no domingo, 15, quando dispersou manifestantes que defendiam o governo federal e protestavam contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

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