Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Usuários do Twitter repetem pergunta que levou Bolsonaro a ameaçar jornalista em Brasília

‘Fabrício Queiroz’ e ‘Michelle’ ficaram entre os assuntos mais comentados na rede social; movimento que começou com jornalistas ganhou adesão nas redes; pesquisador aponta que foram publicados mais de mil tuítes por minuto às 23h30

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2020 | 20h27
Atualizado 24 de agosto de 2020 | 13h43

Jornalistas, artistas, políticos e outros usuários do Twitter repetiram a pergunta feita pelo jornalista de O Globo ao presidente Jair Bolsonaro na tarde deste domingo, 23, em Brasília. O repórter questionou por que a primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Em resposta, o presidente da República falou que tem "vontade de encher de porrada” o jornalista.

De acordo com o pesquisador Fábio Malini, coordenador do Laboratório de Estudo sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, o movimento começou por volta das 18h30 e chegou ao patamar de mais de 1 mil tuítes por minuto às 23h30.

A resposta agressiva de Bolsonaro ao jornalista foi dada na tarde deste domingo, enquanto o presidente visitava uma feirinha de artesanato em frente à Catedral Metropolitana de Brasília. Jornalistas que acompanhavam a visita questionaram se a declaração era uma ameaça, mas o chefe do Executivo não respondeu mais e seguiu com a visita. O Palácio do Planalto foi questionado pelo Estadão sobre o teor da frase, mas respondeu que não iria comentar.

Entidades de imprensa repudiaram a ameaça e cobraram  uma "reação contundente" dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Manifestações de autoridades

Representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário criticaram o presidente após a ameaça ao jornalista. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao jornal O Globo que a liberdade de imprensa é um valor inegociável na democracia e disse esperar que o presidente retome a postura mais moderada que vinha mantendo nos últimos 66 dias.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes também pontuou que a liberdade de imprensa é uma das bases da democracia e disse ser "inadimissível" a censura de jornalistas pelo "mero descontentamento do conteúdo veiculado".

Líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (REDE-AP) afirmou que vai apresentar uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a violência contra a liberdade de expressão.

O líder do PSB na Câmara, o deputado federal Alessandro Molon, criticou Bolsonaro e afirmou que "o que se espera de um presidente é que ele se comporte à altura do cargo que ocupa". Molon ainda disse que as ameaças à imprensa são ameaças à própria democracia. "Além disso, Bolsonaro tenta esconder o que aos poucos está vindo à tona: seu envolvimento num esquema criminoso."

Ex-presidente do Partido Novo, João Amoêdo também entrou na corrente e questionou o presidente sobre o pagamento de Queiroz a Michelle pelas redes sociais. Amoêdo também cobrou que "todos os mandatários e futuros candidatos" do partido questionassem o presidente. "Esse é o papel daqueles que desejam um País onde todos são iguais perante a lei", escreveu.

 

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