Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

‘Tentam criar fato político que desestabilize o País’, diz general Heleno sobre caso Marielle

Chefe do GSI critica reportagem da TV Globo e alega que emissora ‘usou, levianamente, o depoimento de um porteiro, com o objetivo de desestabilizar o presidente Bolsonaro a qualquer custo’

Jéssica Otoboni, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 09h24

O chefe do Gabinete de Segurança Pública Institucional da Presidência da República (GSI), o general Augusto Heleno, criticou nesta quarta-feira, 30, em sua conta no Twitter a reportagem da TV Globo que vincula o presidente Jair Bolsonaro a um dos acusados de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) em 2018

“Tentam criar fato político que desestabilize o País e fomente violentas manifestações, como as que ocorrem em outros países da América Latina. Não querem o bem do Brasil, desejam apenas a volta dos seus privilégios”, escreveu o general Heleno.

“Rede Globo, sensacionalista, ignorou a ética, a honestidade intelectual e os fatos para tentar ligar o presidente da República ao caso Marielle.” Segundo ele, a emissora “usou, levianamente, o depoimento de um porteiro, com o objetivo de desestabilizar o presidente Bolsonaro a qualquer custo”.

O chefe do GSI se refere ao porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde morava Ronnie Lessa, um dos acusados de matar a vereadora e seu motorista Anderson Gomes em março de 2018. 

Segundo a reportagem, o funcionário disse, em depoimento à Polícia Civil, que um homem chamado Elcio (que seria Elcio Queiroz, o outro acusado pelo duplo homicídio) entrou no condomínio dirigindo um Renault Logan prata e afirmou que iria à casa 58, onde morava Bolsonaro. A visita teria sido feita horas antes do crime, de acordo com o relato. 

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Após a divulgação da reportagem, Bolsonaro acusou a Globo de "canalhice" durante transmissão ao vivo na internet. Em reação, a TV afirmou que "não fez patifaria nem canalhice": "Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade".

Bolsonaro diz que acionará Moro para porteiro depor à PF

Em viagem à Arábia Saudita, Bolsonaro acusou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de atuar em conluio com o delegado da Polícia Civil encarregado pelo caso Marielle Franco para tentar incriminá-lo. Segundo Bolsonaro, Witzel o informou sobre a investigação, que corre em segredo de Justiça, no dia 9 de outubro. O presidente afirmou ainda que acionará o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que o porteiro do condomínio onde um dos acusados de matar a vereadora morava preste um novo depoimento à Polícia Federal.

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“No meu entendimento, o senhor Witzel estava conduzindo o processo com o delegado da Polícia Civil para tentar me incriminar ou pelo menos manchar o meu nome com essa falsa acusação de que eu poderia estar envolvido na morte da Marielle”, disse Bolsonaro a jornalistas na saída do hotel onde está hospedado, em Riad.

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