Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

STF autoriza André Esteves, preso na Lava Jato, a voltar a trabalhar

Ex-controlador do BTG Pactual cumpria prisão domiciliar desde dezembro, quando teve revogada a prisão preventiva decretada em novembro por tentar obstruir investigações

Gustavo Aguiar e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2016 | 22h09

BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki decidiu nesta segunda-feira, 25, suspender as medidas cautelares impostas contra André Esteves, ex-controlador do BTG Pactual, preso por tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Com a decisão, o banqueiro poderá voltar a trabalhar normalmente.

Esteves cumpria prisão domiciliar desde dezembro do ano passado, quando teve revogada a prisão preventiva decretada no mês anterior. Ele foi preso sob suspeita de apoiar financeiramente um plano de fuga do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, para que ele não firmasse acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Liberado da prisão cautelar, Teori havia estabelecido, em dezembro, medidas restritivas contra Esteves, que estava obrigado a comparecer em juízo, quando necessário, precisava de autorização para se locomover e estava proibido de exercer atividade ou mesmo ingressar no banco que controlava. Além de voltar ao trabalho, o banqueiro também poderá sair do País desde que avise às autoridades quando a viagem durar mais de sete dias.

A tentativa de atrapalhar as investigações na Lava Jato baseia uma denúncia enviada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o banqueiro. Ao lado dele, em inquérito que tramita em sigilo na Suprema Corte, estão o senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), o assessor do parlamentar, Diogo Ferreira, e o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro.

Na denúncia, a principal prova contra Esteves e os outros três é uma gravação feita pelo filho de Cerveró, Bernardo. O rapaz conseguiu registrar uma conversa em que Delcídio e Ferreira cogitam enviar Cerveró para Espanha, via Paraguai, e afirmam que Esteves daria suporte financeiro de R$ 50 mil mensais à família do ex-diretor da Petrobrás. 

O banqueiro não participa da conversa, mas teria tido acesos a trechos da delação de Cerveró. Delcídio, que também acabou preso, foi solto por Teori em fevereiro, e firmou acordo de delação em que acusou a presidente Dilma Rousseff de tentar interferir nas investigações da Lava Jato em ao menos três ocasiões. Embora esteja em liberdade, o senador está proibido de fazer qualquer tipo de contato com Esteves, Diogo e Ribeiro.

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