Denis Ferreira Netto / Estadão
Denis Ferreira Netto / Estadão

Siglas de esquerda tratam Haddad como candidato

Líderes do PT, entretanto, têm ressalvas ao ex-prefeito e sustentam o discurso de que será Lula o nome para as eleições presidenciais

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

08 Julho 2018 | 03h00

Os partidos de esquerda que apresentaram nomes na disputa presidencial – PDT, PCdoB e PSB – já consideram Fernando Haddad o virtual candidato do PT à Presidência após os recentes sinais emitidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato. O avanço do ex-prefeito de São Paulo, porém, é alvo de forte oposição interna no PT.

A indicação de que Haddad assumiu o posto de opção preferencial de Lula caso a candidatura do ex-presidente seja barrada pela Lei da Ficha Limpa é clara aos olhos dos antigos aliados: foi escolhido para ser advogado de Lula, passou a ter trânsito livre com o ex-presidente, entrou na corrente Construindo um Novo Brasil, que é majoritária no PT. Além disso, foi o nomeado para representar Lula em uma conversa com o general Eduardo Villas Bôas – o comandante do Exército tem se encontrado com os principais pré-candidatos à Presidência.

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Além disso, Haddad tem viajado o Brasil na condição de coordenador do programa de governo do PT e mantém contato frequente com líderes de outros partidos. É como se fosse uma espécie de embaixador de Lula.

Para o presidente do PDT, Carlos Lupi, a escolha do PT foi feita. “O Haddad é o candidato do PT há mais de um ano. Ele foi escolhido por Lula. Quem quiser se iludir, que se iluda. Escreva, anote e depois me cobre.”

Questionado pelo Estado sobre uma eventual candidatura, Haddad respondeu de forma lacônica. “Não sou candidato”, afirmou o ex-prefeito, que disse que ingressou na corrente majoritária do PT a pedido de Lula.

Um dos focos de resistência a Haddad, no entanto, vem justamente de São Paulo, cidade que foi governada por ele. Reservadamente, petistas paulistanos dizem que o ex-prefeito se manteve distante do partido quando estava no poder. E temem que isso se repita caso ele chegue ao Palácio do Planalto.

A entrada na CNB aproximou Haddad de lideranças com trânsito na máquina partidária, como Rui Falcão e Emidio Souza. Um deputado petista que integra a direção nacional do partido disse que Lula costuma emitir sinais trocados e que, por isso, seria precipitado considerar Haddad como o plano B.

Esse mesmo petista avalia que o ex-prefeito está se expondo demais e considera o ex-governador baiano Jaques Wagner como o favorito de Lula. O problema é que Wagner resiste.

“Ele (Haddad) foi atrás da carteira da OAB para se apresentar como interlocutor. Foi mais uma oferta que demanda. Também há sinais de outros. Não percebo sinalização do próprio presidente”, disse Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, braço teórico do PT.

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Assim como Haddad, Wagner também nega que possa disputar o Palácio do Planalto e repete o discurso da executiva petista de que não há uma plano B para Lula. Mesmo assim, o nome dele é citado por pessoas próximas ao ex-presidente como o preferido do líder petista.

Um sinal disso foi a decisão de entregar ao ex-governador da Bahia a missão de ler a carta que Lula escreveu para o lançamento de sua candidatura presidencial em um evento em Contagem, Minas Gerais. Mas Wagner desistiu em cima da hora de fazer a leitura.

Procurada, a presidente do PT, senadora Gleisi Hofmann, disse, por meio de sua assessoria, que não trabalha com nenhum plano B e nem C para a eventualidade de Lula não poder entrar na disputa. A versão oficial do PT é de que Haddad foi convidado para ser advogado de Lula para fazer articulações institucionais da pré-candidatura do ex-presidente.

O partido argumenta ainda que Haddad precisa ter acesso a Lula para discutir o programa de governo do partido. O último encontro entre os dois ocorreu na sexta-feira, 7, na sede da Polícia Federal em Curitiba.

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