Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

‘Se ele falou, tem de estudar como vai fazer’, diz Heleno sobre AI-5

Ministro do GSI afirma que sugestão de Eduardo Bolsonaro teria de ser avaliada 'em um monte de lugares'

Entrevista com

General Augusto Heleno, ministro do GSI

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 16h02

BRASÍLIA – Para o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, se o Brasil registrar protestos similares aos que ocorrem atualmente no Chile, algo terá de ser feito. Editar um “novo AI-5”, como sugeriu o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, exigiria estudos, pois o “regime democrático” impõe que uma proposta como essa passe “em um monte de lugares”.

Heleno conversou com o Estado, por telefone, no início da tarde desta quinta-feira, 31, e disse que ainda não tinha visto a entrevista em que o deputado Eduardo defende a reedição da norma de 1968 que levou a ditadura militar (1964-1968) ao auge do autoritarismo. Em nenhum momento da entrevista, o general repudia a hipótese de um novo AI-5.

O general é um dos principais conselheiros do presidente Jair Bolsonaro para assuntos militares. O ministro comparou a dificuldade para emplacar uma regra como o AI-5 ao ritmo lento que tramita no Congresso o pacote anticrime de Sérgio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública. Abaixo, leia a entrevista:

Eduardo falou sobre editar uma espécie de novo AI-5, caso protestos no Brasil se radicalizem. O que o senhor acha a respeito?

Ele (Eduardo) estava sob forte emoção com esse negócio da TV Globo. Tudo isso tem de ser considerado (a declaração do deputado foi dada segunda-feira, portanto, antes da reportagem do Jornal Nacional que menciona o nome do presidente no caso Marielle Franco). Essas coisas, hoje, num regime democrático... é complicado. Tem de passar em um monte de lugares. Não é assim. O projeto do (ministro da Justiça, Sérgio) Moro, fundamental para conter crime, não passa. Fazem de tudo para não passar. O pessoal não quer, não quer nada que possa organizar o País. Não quer dizer que isso vai organizar o País. Mas isso aí não é assim, vou fazer e faz. Então, não tenho o que falar.

O AI-5 seria então algo de outro período, que não cabe mais hoje?

Não ouvi ele (Eduardo Bolsonaro) falar isso. Se falou, tem de estudar como vai fazer, como vai conduzir. Acho que, se houver uma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter. Mas até chegar a esse ponto tem um caminho longo.

Nos moldes do Chile, o senhor acha que seria viável e até preciso algo como um AI-5?

Não sei. Não presenciei os movimentos do Chile. O que a imprensa noticia normalmente não é a verdade. Isso a gente já se acostumou no Brasil. A imprensa não está acostumada a falar a verdade. Ela torce para o lado que ela quer. Notícia de jornal, televisão, é toda manipulada. A favor ou contra ao que interessa aquele canal. Até os sites de redes sociais são manipulados. Teria de ter uma informação mais segura. Estou fora há 10 dias (o ministro chegou hoje de uma viagem pela Ásia). Não tenho ainda informações seguras sobre o que houve no Chile. Hoje em dia não acredito em nada da imprensa. A imprensa hoje eu falo com muito receio que é tudo com segundas intenções, como uma coisa já pensada. O telefonema (do Estado) já foi sobre algo que você quer uma resposta, eu sei qual a resposta que você quer, não vou te dar essa resposta. Pode escrever o que você quiser. Vocês estão tão desacreditados que pode escrever o que você quiser.  

De maneira geral, qual a sua leitura sobre um AI-5 hoje, ou algo parecido?

Não vou comentar sobre isso. Não ouvi nada sobre isso. Isso aí para mim não faz sentido, não ouvi sobre isso, ele (Eduardo) não comentou com a gente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.