Washington Alves/Estadão
Washington Alves/Estadão

Romeu Zema: ‘Que a CPI seja bem-sucedida e célere’

Alvo de investigação em Minas, Zema defende comissão no Senado, mas critica parlamentares por busca de holofotes

Entrevista com

Romeu Zema, governador de Minas Gerais

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 05h00

Eleito na esteira do bolsonarismo em 2018, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de 56 anos, se mantém próximo ao presidente da República, Jair Bolsonaro, mas busca agora modular o discurso para viabilizar sua candidatura à reeleição no ano que vem. Ao Estadão, Zema justifica o apoio a nome alternativo ao de João Amoêdo para ser o candidato do partido à Presidência em 2022. “Sou a favor da renovação”, disse. 

  • Por que o sr. se manifestou contra a CPI da Covid no Senado?

Não sou contra nenhuma investigação. Se a CPI está fluindo, ótimo. Que ela seja bem-sucedida e célere. O que eu questiono é que no Brasil já temos instituições aptas e estruturadas para fazer investigações. O parlamento pode fazer isso, mas tem atividades prioritárias, que são as reformas estruturantes. Enquanto ele ficar focado na CPI, é muito provável que as reformas fiquem numa marcha reduzida. Muitas vezes, acontece infelizmente em vários parlamentos, seja em nível municipal, estadual ou federal, que a classe política deixe de lado o que é relevante para se dedicar a pautas secundárias que dão holofote e palco. 

Um governo transparente não tem o que temer. Entre os Estados da região Sudeste e Sul, Minas é o que tem a menor taxa de óbito na pandemia. Tivemos que pagar muitas dívidas do governo anterior, porque laboratórios e prestadores de serviço não estavam dispostos a fornecer o medicamento sem o pagamento atrasado. Pelo critério das contas públicas, esses atrasados não são considerados despesas correntes. 

  • Por que então o sr. dispensou o seu secretário de Saúde? 

Para darmos total transparência à apuração. Eu não queria alguém que naquele momento havia adotado um critério de vacinação que era suspeito. 

  • O sr. é bolsonarista?

Tem muitas coisas que fazemos aqui que coincidem com a pauta do governo federal. E outras coisas que são contrárias. Estou aqui para zelar pelos interesses de Minas. Não acredito em nenhuma política que idolatra A,B ou C. O brasileiro precisa aprender a idolatrar propostas. Vou apoiar no ano que vem o candidato que tiver as melhores propostas. 

  • O sr. se arrependeu de ter votado no Bolsonaro em 2018?

Não me arrependi, mas nós fazemos muitas coisas diferentes do governo federal. Ter votado em alguém não quer dizer acreditar cegamente. 

  • Vai apoiar a reeleição dele?

Quero apoiar um reformista. 

  • Qual a sua avaliação sobre o desempenho de Bolsonaro?

O Governo Federal tem acertos e erros. O saneamento foi um acerto. E na CPI vamos ver se a pandemia foi bem conduzida. Vamos esperar o desfecho. 

  • O sr. defende a cloroquina?

Em Minas não fizemos uso da cloroquina por recomendação de um corpo técnico. 

  • Por que o sr. não assinou o manifesto dos governadores contra as fake news e agressões do presidente Jair Bolsonaro?

Prefiro ir até Brasília e conversar com os ministros e o presidente. É muito melhor tratar diretamente do por correspondência. Mas quero deixar claro que sou contra as fake news. 

  • O presidente participou de diversas manifestações com aglomeração e sem máscara. Como avalia essa atitude?

Nós em Minas tomamos toda a precaução. Considero inadequada qualquer aglomeração e qualquer pessoa que não tome as medidas de prevenção. 

  • Como o sr. avaliou a decisão do Exército de não punir Eduardo Pazuello?

Sou contra a qualquer mudança de procedimento que vise preservar alguém. A Polícia Militar de Minas é considerada uma das melhores do Brasil porque não tolera quem não cumpre o regulamento. Todo mês eu assino em média 10 demissões de policiais que fugiram da conduta adequada. Isso mantém a instituição respeitada. 

Eu apoio os dois nomes, mas sempre sou favorável à renovação. Cabe ao diretório nacional fazer a escolha adequada. Os dois nomes representam renovação, mas o João Amoêdo já foi candidato. O partido pode tentar um novo nome. Não sabemos nem se o partido vai lançar candidato à Presidência. Ainda existe essa interrogação. 

  • O sr. vai disputar a reeleição?

Sempre digo que no Brasil antecipamos muitos problemas que deveriam ser postergados. Faltam 16 meses para a eleição de 2022. Apesar de faltar esse prazo todo, não vamos conseguir fazer em quatro anos aquilo que gostaríamos. O Estado é burocrático e nem sempre tem a celeridade que nós esperávamos. Para poder concluir o meu trabalho, vou me propor a ser candidato à reeleição. 

  • Vai usar recursos do Fundo Eleitoral?

Não. Fui candidato eleito em 2018 sem usar o fundo.

  • Por que o sr. não conseguiu cumprir o programa de privatizações em Minas?

Vale lembrar que vendemos a participação que a Cemig tinha na Light. Várias subsidiárias da Cemig serão vendidas este ano. Está na Assembleia o projeto de privatização da Codemig, mas ela não avaliou. Um dos motivos da minha provável candidatura à reeleição é concluir esse processo. 

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