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Romero Jucá: Não dá pra dizer se Dilma vai chegar ao fim do mandato

Para senador do PMDB crise econômica se dá por erros cometidos pelo próprio governo e, combinada com a 'inabilidade política', cria 'tempestade perfeita'

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2015 | 14h27

SÃO PAULO - O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, nesta segunda-feira, 14, que "não dá para dizer" se a presidente Dilma Rousseff vai chegar ao final de seu mandato. "Ou o governo muda os procedimentos e suas práticas, dá um cavalo de pau e muda rapidamente, ou terá muita dificuldade de governar", disse. Questionado se a gestão da petista já tinha dado alguns sinais de mudança, frisou que até o momento não mudou nada e garantiu que é preciso esperar o que vai acontecer esta semana, quando a gestão petista prometeu anunciar um pacote de medidas que deverá levar a um corte de cerca de R$ 20 bilhões em suas contas

Na avaliação do senador, a crise econômica se dá por erros cometidos pelo próprio governo. E listou: "Posturas ideológicas, intervenção em setores do mercado, desequilíbrio de sistema de grande porte. A inabilidade do governo com a política é outro fator que, combinado, cria a tempestade perfeita." E a corrupção, continuou, é uma questão que não pode ser impingida aos partidos políticos, mas às pessoas.

Para Jucá, o governo tem que sinalizar para a sociedade um outro momento, com o corte de gastos e ministérios. "Não dá para pedir sacrifício de ninguém, sem dar o exemplo do que vai se fazer." E tem que amadurecer uma agenda política comum e ter maioria forte e estável no Congresso para fazer as transformações que o País precisa fazer. Jucá voltou a colocar em dúvida o poder de reação do governo petista: "Se este governo (Dilma) vai conseguir fazer isso ou não, eu não sei."

Nas críticas ao governo, Jucá disse que houve intervenção equivocada no setor elétrico, na Petrobrás e no BNDES, subsidiando intervenções em concessões, que não eram o caminho correto. O senador afirmou que não é mais possível maquiagens e subterfúgios (nas contas do governo), citando que no déficit orçamentário de R$ 30 bilhões que o governo enviou ao Congresso Nacional, existem arrecadações não configuradas. 

Posicionamento. Indagado sobre a relação de seu partido com o PT, citou o congresso da sigla que será realizado no dia 15 de novembro, quando estará em discussão o rompimento da aliança. "O PMDB não dita hoje as prioridades do governo, o PMDB foi coadjuvante, em tese não é o mentor da política econômica e nem da condução política, da atuação do governo com outros partidos."

Jucá disse, também, que seu partido "tem discutido muito" a possibilidade de migrar para a oposição ao governo, mas que ainda não chegou a hora de fazer a contabilidade de votos para um eventual pedido de impeachment. "O PMDB tem discutido muito isso e está preparando um congresso, que provavelmente será no dia 15 de novembro, para discutir o posicionamento do partido. O afastamento tem que ser resultado de um entendimento programático. A bola agora está com o governo", afirmou.

O peemedebista, que também foi líder do governo na gestão Fernando Henrique Cardoso, disse, ainda, que já foi da base governista, mas hoje é "independente". 

Fundo do Poço. Sobre a crise pela qual o País passa, o senador comentou que a situação ainda não bateu no fundo do poço, e previu a piora nos índices de desemprego e de atividade econômica. "Dois setores, serviços e comércio, vão acentuar o nível de desemprego neste segundo semestre."

Ao falar sobre a Operação Lava Jato, Jucá, que está na lista de políticos citados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no âmbito da Operação Lava Jato, reiterou que está "absolutamente tranquilo". "Não cometi irregularidade, não tenho nada a temer." 

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