Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Reunião entre Jair Bolsonaro e Eunício Oliveira é retirada da agenda do presidente eleito

Encontro deveria acontecer na terça-feira, 13; Bolsonaro tem enfrentado retaliações do Senado com votações de impacto nas contas públicas e sucessão para a presidência da Casa preocupa equipe do presidente eleito

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2018 | 20h50

BRASÍLIA - Uma audiência de meia hora com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), entrou e saiu rapidamente da agenda de Jair Bolsonaro. O encontro entre os dois chegou a constar como “a confirmar” na lista de compromissos do presidente eleito para a próxima terça-feira, em Brasília. Nunca apareceu, porém, no diário de atividades de Eunício para o dia 13.

O presidente do Senado tem mandado recados de insatisfação ao futuro governo. Eunício não foi reeleito, mas sempre lembra que é dono de papel preponderante, como chefe do Congresso, até o fim deste ano. Diz, ainda, que terá influência na escolha do candidato à sua sucessão no comando da Casa, em fevereiro de 2019.

A pauta do Senado está sob a batuta de Eunício e a equipe de Bolsonaro tem receio de que parlamentares em fim de mandato incluam “jabuticabas” e “bombas” no Orçamento do ano que vem , ainda em discussão. No jargão político de Brasília, os dois termos são sinônimos de problemas à vista.

Em entrevista ao Estado, publicada nesta sexta-feira, Eunício disse não estar preocupado se Bolsonaro “vai gostar ou não” do resultado das votações no Congresso. “Qual o motivo de eu, como presidente de um Poder, procurar o presidente eleito de outro Poder para perguntar o que ele quer? Parece um oferecimento, disposição para se credenciar para alguma coisa. Zero”, afirmou o senador.

Nos últimos dias, o presidente eleito sofreu dois revezes no Senado, em menos de 24 horas, em votações de impacto nas contas públicas. Entre quarta e quinta-feira foram aprovados na Casa o reajuste salarial para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e também para integrantes do Ministério Público, com repercussão em todo o funcionalismo, além da prorrogação de incentivos fiscais automotivos, o Rota 2030.

Após várias reuniões em Brasília nesta semana, Bolsonaro desembarcará novamente na capital na próxima terça-feira, 13. Em sua agenda neste dia está prevista uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), logo após sua chegada. A audiência com Eunício vinha antes, mas, por falta de confirmação, saiu da lista.

Interlocutores do presidente eleito argumentam, porém, que ele está interessado em fazer um gesto de aproximação na direção do senador. O Estado apurou que a sucessão no Congresso, marcada para 1.° de fevereiro de 2019, preocupa a equipe de Bolsonaro. Na Câmara, o PSL, partido do capitão reformado do Exército, não quer, por exemplo, apoiar a recondução de Maia (DEM).

Em conversas reservadas, correligionários de Bolsonaro dizem agora que o ideal é o novo governo ficar “neutro” nessa disputa. No Senado, o PSL acompanha os movimentos de Renan Calheiros (MDB-AL), que, apesar de negar a candidatura à cadeira de Eunício, articula nos bastidores sua volta ao cargo.

Pragmático, Renan apoiou o PT em Alagoas, já que o Nordeste ainda é reduto do partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaristas acham que o senador ainda é muito ligado à esquerda.

Questionado se poderia disputar a eleição para o lugar de Eunício, o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP), amigo de Bolsonaro, abriu um sorriso. “Eu não me omito nem me insiro”, desconversou ele. “Não dou palpite onde não sou chamado.” 

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