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Adriano Machado / Reuters
Adriano Machado / Reuters

PT quer se contrapor a Bolsonaro defendendo medidas de prevenção ao coronavírus

'Objetivo é orientar a população e dizer que a coisa é séria', diz secretário de Comunicação do partido

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2020 | 22h09

Enquanto setores da esquerda partem para o confronto direto contra o governo Jair Bolsonaro defendendo o impeachment do presidente, o PT, maior partido de oposição, decidiu adotar uma linha propositiva na crise causada pelo novo coronavírus. A ideia é contrapor Bolsonaro defendendo medidas de prevenção que vêm sendo adotadas na maior parte do mundo, como o isolamento, por meio da hashtag (palavra-chave) #fiqueemcasa

A estratégia partiu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz um apelo em vídeo elaborado pelo PT. "Cuide-se. Fique em casa", diz Lula, 74 anos, em quarentena há pelo menos duas semanas. O petista foi solto em novembro do ano passado após ficar 580 dias preso na cela da Polícia Federal em Curitiba.

Com a declaração rápida e objetiva, Lula se coloca no campo oposto ao do presidente, que em discursos e agendas tem confrontado as recomendações de especialistas e políticas de prevenção adotadas pelos governos de quase todo o planeta.

"O objetivo é orientar a população e dizer que a coisa é séria. Isso já é fazer um contraponto ao Bolsonaro", disse o secretário de Comunicação do PT, Jilmar Tatto.

 

Em outra frente, no Congresso, o PT está orientado a buscar diálogo com outras forças da oposição, inclusive fora do campo da esquerda, para viabilizar a aprovação de projetos que ajudem a solucionar os problemas de trabalhadores pobres que podem perder emprego e renda com o isolamento e também de micro e pequenas empresas. 

A bancada petista comemora a aprovação, na semana passada, do projeto de renda básica emergencial e o aumento do benefício que será concedido pelo governo aos trabalhadores informais e prepara novas medidas. 

Nas redes, dirigentes e parlamentares petistas lembraram que a renda básica é uma bandeira há décadas do vereador Eduardo Suplicy (PT-SP). O próprio Suplicy comemorou em vídeo a aprovação da proposta que nunca entrou na pauta do partido nos 13 anos em que ocupou o governo federal. A ex-presidente Dilma Rousseff até se recusava a receber o então senador para falar do assunto. 

Agora o partido quer aprovar na Câmara o salário quarentena para trabalhadores formais e um programa de suporte empresarial. 

O PT avalia que a crise levou a uma mudança em relação ao pensamento sobre o papel do estado na economia. Para o partido, o pensamento único segundo qual o papel do estado deveria ser mínimo, prevalecente desde o desequilíbrio nas contas públicas causada pelas políticas econômicas anticíclicas de Dilma, caiu por terra. 

"No mundo todo, a crise colocou em xeque os dogmas neoliberais da redução do estado e da austeridade fiscal, pois até mesmo os que se aproveitam dessas políticas foram obrigados a recuar da defesa explícita do neoliberalismo.   Vulneráveis à pandemia, tiveram de admitir que só o estado pode mobilizar recursos para reduzir o contágio, socorrer os doentes, garantir a sobrevivência da população e das bases da economia", diz resolução política aprovada na última sexta-feira, 27.

Depois de Lula ter falado em impeachment ou renúncia de Bolsonaro em uma transmissão ao vivo ao lado do ex-prefeito Fernando Haddad, na semana passada, a ala radical do partido tentou mais uma vez aprovar o "Fora Bolsonaro" na reunião de sexta-feira, mas foi novamente barrada pelo grupo de Lula. O mesmo já havia acontecido duas semanas atrás. 

Ao se referir ao governo, o PT utiliza palavras "resistir", "enfrentar", "união" e "solidariedade".  Em momento algum fala na saída do presidente. "A prioridade do partido hoje é atacar a crise. Estamos de olho na degradação institucional e fazendo um monitoramento intenso e cotidiano. Mas a prioridade é o combate ao coronavírus", disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos vice-presidentes do partido.

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