Lula é solto após 580 dias na cela da PF em Curitiba

Lula é solto após 580 dias na cela da PF em Curitiba

Ex-presidente saiu da prisão após menos de 24 horas da decisão no STF sobre segunda instância

Paulo Roberto Netto, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Talita Laurino/CURITIBA

08 de novembro de 2019 | 17h42

Um ano e sete meses após ser preso na Operação Lava Jato para cumprir pena de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou na tarde desta sexta, 8, a cela especial da Polícia Federal em Curitiba.

O ex-presidente Lula deixa a sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpria pena de oito anos de prisão pelo caso triplex. Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters

Lula saiu da sede da PF às 17H42 — pouco mais de uma hora depois da expedição do alvará de soltura. Uma multidão de manifestantes saudou o ex-presidente empunhando bandeiras do PT gritando palavras de ordem.

A ordem de soltura do petista foi dada pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, menos de 24 horas depois de o Supremo Tribunal Federal declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância – caso de Lula.

“Não tenho dimensão do significado de eu estar aqui junto de vocês. A vida inteira estive conversando com o povo brasileiro, eu não pensei que no dia de hoje, eu poderia estar aqui conversando com homens e mulheres que durante 580 dias ficaram aqui”, afirmou Lula a manifestantes que se aglomeraram na sede da Polícia Federal. “Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir”.

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Em discurso, Lula chamou de ‘mentirosos’ e ‘canalhas’ delegados da Polícia Federal, procuradores do Ministério Público Federal que integram a força-tarefa da Lava Jato e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, responsável por sua sentença de condenação.

“Eles tem que saber: eles não tentaram prender o Lula. Eles tentaram matar uma ideia”, afirmou Lula, que classificou a operação Lava Jato como uma tentativa de ‘criminalizar o PT’.

Lula foi condenado no caso triplex pelo ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro de Justiça e Segurança Pública, que lhe impôs nove anos e seis meses de reclusão. A pena foi aumenta para 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Tribunal da Lava Jato. Em abril deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a sanção para 8 anos, dez meses e vinte dias de reclusão.

 

O petista cumpria pena desde a noite de sete de abril de 2018 em uma cela especial dentro da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. O ex-presidente é acusado de receber propinas da empreiteira OAS em troca de contratos da Petrobrás.

O repasse teria sido materializado em obras de melhorias e ampliação de um triplex no edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista, e também por meio do armazenamento de bens que o ex-presidente recebeu durante seus dois mandatos no Planalto, entre 2002 a 2009.

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Lula sempre negou o recebimento de vantagens indevidas. Ele é réu em outras ações penais, como no caso do sítio de Atibaia, no interior paulista, pelo qual foi condenado a doze anos e onze meses de reclusão pela juíza Gabriela Hardt em fevereiro deste ano. O caso será julgado no próximo dia 27 pelo TRF-4, que analisará se a sentença será anulada e o processo remetido de volta às alegações finais.

Defesa. Nesta manhã, a defesa do ex-presidente Lula apresentou pedido de soltura imediata à Justiça após conversar com o petista na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O criminalista Cristiano Zanin, defensor do petista, anexou no pedido cópia de notícia do STF sobre a decisão. Também foram anexadas cópias do andamento dos pedidos analisados pela Corte para justificar a liberação imediata do petista.

Zanin pediu que Lula seja dispensado ainda do exame de corpo de delito para deixar a prisão, o que ocorreu. Lula foi liberado pela Polícia Federal direto para as ruas.

Além da defesa do ex-presidente estão na sede da Polícia Federal a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente do PT do Paraná, o ex-deputado Dr. Rosinha.

 

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