Marcos Corrêa/Planalto
Marcos Corrêa/Planalto

Governo ainda não decidiu se vai prorrogar permanência do Exército no Ceará

Bolsonaro se reuniu nesta quinta com ministros para discutir GLO, cujo decreto vale até esta sexta; policiais militares estão em motim no Estado há dez dias

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 12h13

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro ainda não decidiu se vai prorrogar o período do decreto da Garantia de Lei e da Ordem (GLO) no Ceará, que termina nesta sexta-feira, 28. A informação é do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que recebeu o presidente e outras autoridades na sede da pasta durante a manhã para tratar do assunto. Bolsonaro ficou cerca de duas horas na Defesa.

 A GLO assegura a presença de militares do Exército para garantir a segurança pública, uma vez que setores da Polícia Militar estão em motim há dez dias. O Exército vai acompanhar as negociações do governo do Ceará para tentar pôr fim ao movimento.

 

Além de Bolsonaro, também estavam presentes os ministros Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Braga Netto (Casa Civil). O encontro também contou com a participação dos chefes das Forças Armadas.

 Como informado pela colunista Eliane Cantanhêde, do Estado, a reunião desta quinta também serve como uma demonstração de força na cúpula das Forças Armadas. A ida de Bolsonaro à Defesa ocorre após divulgação de que o presidente enviou, pelo WhatsApp, um vídeo, com Hino Nacional ao fundo e cenas da facada que recebeu, convocando para manifestação bolsonarista no dia 15 de março. Os atos foram marcados em apoio ao governo e críticas ao Congresso.

O presidente compartilhou com seus contatos do WhatsApp dois vídeos. Um deles, revelado pelo BR Político diz: “Ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas. Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”, diz o texto que aparece na tela, entremeado por imagens de Bolsonaro sendo esfaqueado, no hospital e depois em aparições públicas.

A divulgação do vídeo tem sido tratado como um endosso, por parte de Bolsonaro, às manifestações e gerou reações no mundo político e nas redes sociais na terça-feira, 25.  

 

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