REUTERS/Adriano Machado
REUTERS/Adriano Machado

Bastidores: Agenda de Bolsonaro no Ministério da Defesa garante foto com militares

Setores da reserva e da ativa começam a manifestar desconforto com a simbiose excessiva entre governo e Exército

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 05h00

O presidente Bolsonaro abre sua agenda nesta quinta-feira, 27, com um compromisso às 9h no Ministério da Defesa, oficialmente para acompanhar o balanço da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Ceará, mas também para fotos num momento e num ambiente para a demonstração de força na cúpula das Forças Armadas

Essa ida de Bolsonaro ao Ministério da Defesa ocorre após divulgação do vídeo que ele reenviou por WhatsApp, em tom épico, com Hino Nacional ao fundo e cenas da facada que recebeu, convocando para manifestação bolsonarista no dia 15 de março. Esse ato é tanto de apoio ao presidente e ao governo quanto de protesto contra Legislativo e Judiciário. 

Diante da divulgação, pela jornalista Vera Magalhães, no BR Político, três ex-presidentes da República, FHC, Lula e Dilma, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Supremo, Dias Toffoli, e uma dezena de partidos soltaram notas de repúdio ao vídeo e em defesa da democracia e das instituições brasileiras. 

A demora da reação de Toffoli e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi recebida com desconfiança nos mundos jurídico e político. Nos bastidores, circulava versão de que ambos mantêm boas relações com o Planalto e não poderiam “explodir pontes”. Ou seja, precisam manter canais de interlocução, enquanto o filho deputado do presidente, Eduardo Bolsonaro, agia para pôr mais lenha na fogueira: “Se houvesse bomba H no Congresso, o povo (sic) choraria?” 

Toffoli e Alcolumbre, assim, estariam se preservando para operar em sentido oposto e tentar baixar as labaredas da crise, liberando o decano do Supremo, Celso de Mello, e Maia para dar um recado forte. Celso de Mello chegou a considerar a hipótese de crime de responsabilidade do presidente da República. 

Um dos fatores dessa equação está justamente nas Forças Armadas, que ocupam todos os cargos de poder no Planalto, mas convivem com setores da reserva e da ativa que começam a manifestar desconforto com a simbiose excessiva entre governo e Exército, principalmente. 

Oficiais lembram que as Forças são instituição de Estado, não de governos de plantão, e são destinadas pela Constituição à defesa da pátria e das instituições constituídas, e não podem ser engolidas por lutas políticas e ideológicas, nem ser usadas, ostensiva ou subliminarmente, contra Câmara, Senado e Supremo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.