André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Por divergência sobre crise em Roraima, Jucá deixa liderança do governo no Senado

Senador afirmou que a situação da entrada de imigrantes pelo Estado tende a se agravar, e que sente necessidade de poder cobrar e reclamar do governo

Mariana Haubert e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 18h04

BRASÍLIA - O presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá (RR), anunciou nesta segunda-feira, 27, que deixou a liderança do governo no Senado. Jucá comunicou sua decisão ao presidente Michel Temer por "discordar da forma como o governo federal está tratando a questão dos venezuelanos em Roraima". Um novo líder do governo na Casa deve ser definido nesta terça, 28, de acordo com o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, Carlos Marun.

Nos últimos dias, o governo federal tem sido pressionado com propostas de bloquear a entrada de imigrantes por Roraima. Jucá é dos que passou a encampar o pedido pelo bloqueio da entrada na fronteira do Estado, de forma temporária. Na semana passada, o senador também anunciou à imprensa que apresentaria uma proposta ao Senado para estabelecer "cotas" para a entrada de imigrantes no País.

"Essa situação tende a se agravar e eu tenho que cobrar do governo veementemente, protestar, cobrar e reclamar do governo", explicou Jucá. "Como líder do governo eu não posso fazer isso, então eu me desincumbi da função para exercer essa questão com plenitude no que diz respeito a essa cobrança", disse. 

Jucá falou com jornalistas logo após o encontro e afirmou sentir "pena dos venezuelanos" mas disse que a crise humanitária vivida pelo país vizinho não pode ser motivo para "destruir Roraima". Ele reclamou ainda que o resto do Brasil apoia as medidas do governo para receber os imigrantes mas não ajuda o seu estado. 

"Não adianta querer fazer figura com o chapéu alheio. Fica o Brasil inteiro achando que tem que receber os venezuelanos, mas ninguém leva para os seus estados. Quem está pagando a conta é povo de Roraima e eu não quero que ele pague essa conta", disse. 

De acordo com Jucá, o primeiro vice-líder, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), é quem deve assumir a liderança do governo no Congresso e fazer a defesa do governo Temer. Marun afirmou que Temer não chegou a conversar com o pernambucano ainda.

Adversária política de Jucá, a governadora do Estado, Suely Campos (PP), já vinha pedindo o fechamento da fronteira nas últimas semanas e protocolou novo pedido no Supremo Tribunal Federal (STF). Ela tem acusado o governo federal de omissão diante da situação no Estado.

Segundo pesquisa Ibope, divulgada no último dia 17 de agosto,Jucá está na terceira posição nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, com 25% da preferência do eleitorado, atrás de nomes como o de Mecias de Jesus (PRB), que tem 26%, e Angela Portela (PDT), que lidera com 30%. Como são duas vagas, ele corre o risco de não conseguir se reeleger se o resultado nas urnas for este.

Apesar dos pedidos, Temer voltou a dizer, neste sábado, 25, que as fronteiras brasileiras continuarão abertas. O presidente disse que bloquear a entrada de pessoas é algo "incogitável" pelo Palácio do Planalto porque seria um "desumano". Além disso, segundo ele, contrariaria os compromissos feitos pelo Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU). "Temos feito o possível para atender a compromissos de natureza internacional", disse.

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