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Perfil hacker divulga dados pessoais que seriam de Bolsonaro, família e aliados

Conta vazou supostos dados dos ministros Damares Alves e Abraham Weintraub, além do deputado Douglas Garcia

Bianca Gomes e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2020 | 23h32
Atualizado 02 de junho de 2020 | 14h37

Perfis no Twitter que dizem pertencer ao grupo hacker Anonymous Brasil divulgaram na noite desta segunda-feira, 1º, supostos dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro, seus filhos Carlos, Eduardo e Flávio, além de integrantes do governo e aliados do presidente, como a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Uma das contas que vazou os dados foi suspensa minutos depois e o site onde estavam armazenadas as informações saiu do ar.

A Anonymous atua em outros países e ressurgiu no último domingo, 31, após desdobramentos do caso de George Floyd,  homem negro assassinado durante uma abordagem policial nos Estados Unidos. Em vídeo, a organização ameaça expor "muitos crimes" cometidos pela polícia em todo o mundo. 

A conta que vazou supostos dados de autoridades brasileiras nesta segunda estava sem publicar no Twitter desde outubro de 2018. No último domingo, anunciou a volta. "Chamado #AnonymousBrazilNeedsHelp. Estamos preparando nosso barco! Logo teremos vazamentos de dados, estamos preparando.  #Anonymous #AntiFascista #Antifa  Ajude com RT", diz uma publicação. No Twitter, as hashtags (palavras-chaves) #Anomymous e #anonymousbrasil estavam entre as mais comentadas da madrugada. O perfil afirma ainda que outras contas "hacktivistas" estão sendo reativadas na rede social.

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) confirmou nesta terça, 2, o vazamento de dados pessoais. O filho do presidente Jair Bolsonaro escreveu em sua conta no Twitter que o ataque é uma "clara tentativa de intimidação" e que "medidas legais estão em andamento". Carlos relacionou o vazamento ao que chama de "turma 'pró-democracia'", em alusão às manifestações realizadas nos últimos dias contra o presidente, e reiterou críticas aos desdobramentos do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF). "Após vermos violações do direito à livre expressão, agora ferem a privacidade. Sob a desculpa de 'combater o mal', justificam seus crimes e fazem justamente aquilo que nos acusam, mas nunca provam!"

 

Além de Bolsonaro e seus filhos, tiveram os supostos dados vazados o deputado estadual Douglas Garcia, aliado do presidente, os ministros Abraham Weintraub e Damares Alves, e o dono da Havan e também aliado de Bolsonaro, Luciano Hang. Entre os dados vazados estão informações como e-mails, telefones, endereços, perfil de crédito, renda, nomes de familiares e bens declarados. 

Garcia também já havia confirmado o vazamento de seus dados pelo grupo e afirmou que faria um boletim de ocorrência. "Anonymous Brasil, de forma criminosa, acaba de divulgar todos os meus dados nas redes sociais. Para que colocar os meus familiares em risco? Para que divulgar o endereço de minha casa? Os lugares em que trabalhei? Estou indo agora mesmo na delegacia fazer um boletim de ocorrência", escreveu o deputado. 

A conta americana, que acumula mais de 4,9 milhões de seguidores, mencionou o presidente Jair Bolsonaro no domingo. "Algo que as pessoas devem olhar no Brasil é investigar se Bolsonaro tem algum vínculo com o traficante e estuprador de crianças John Casablancas, um associado próximo de Trump que atuou como proxy (termo que designa servidores intermediários) para os negócios de Trump no Brasil sob algum cargo obscuro e indefinido", escreveu. 

Um dos perfis que disse pertencer ao grupo hacker também publicou imagens que alega retratarem a lista de bens declarados por Bolsonaro, com valor idêntico à declaração apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de R$ 2.286.779,48, e até uma suposta fatura de posto de gasolina em nome do presidente no valor de R$ 56.160,00, com data de fevereiro deste ano e endereço de cobrança no seu endereço residencial na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O número do CPF do presidente também foi exposto.

Sob a hashtag "#vazaram", usuários do Twitter compartilharam capturas de tela em que dizem ter feito compras no valor de dezenas de milhares de reais com o cartão corporativo de Bolsonaro, cujos dados também teriam sido divulgados, e até filiado o mandatário ao PT.

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