Mila Cordeiro/Agência A Tarde
Mila Cordeiro/Agência A Tarde

PC do B nega que vereadora seja responsável sobre ovos atirados em Doria

Segundo partido, ovadas foram reação à suposta ação do prefeito da cidade, que teria destacado '60 capangas' para agredir manifestantes

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 12h58

Em nota divulgada nesta quarta-feira, 8, o PC do B da Bahia nega que a vereadora do partido em Salvador Aladilce Souza tenha responsabilidade pelos ovos atirados contra o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), na capital baiana, segunda-feira, 7. De acordo com a legenda, as ovadas foram uma reação à suposta ação do prefeito da cidade, ACM Neto (DEM), que teria destacado "60 capangas" para agredir manifestantes que protestavam contra a entrega do título de cidadão soteropolitano ao tucano.

Segundo o PC do B, o protesto foi organizado formalmente pela Frente Brasil Popular e divulgado amplamente nas redes sociais.

No texto divulgado hoje, o partido faz duras críticas a Doria, a quem acusa de ir a Salvador "fazer campanha campanha eleitoral quando deveria estar trabalhando, derrubar casarões com pessoas dentro" (referência à ação da prefeitura na Cracolândia) e lembra que quando foi presidente da Embratur, no governo José Sarney, Doria chegou a propor que a miséria do Nordeste fosse transformada em atração turística. 

De acordo com o PC do B, um manifestante teve a perna quebrada por um dos "prepostos" de ACM Neto e Doria não tem serviços prestados à cidade, condição para a outorga do título.

Em entrevista depois de receber a honraria, Doria acusou a vereadora do PC do B "em conjunto com vereadores e membros do PT, Psol e da Rede" pela agressão.

A prefeitura de São Paulo, também por meio de nota, diz que o PCdoB baiano mente ao divulgar boatos e versões distorcidas sobre a gestão Doria. "A nota divulgada pelo PC do B de Salvador mente ao dar status de verdade a boatos, inverdades e versões distorcidas sobre a gestão e a pessoa do prefeito João Doria", diz a nota.

A prefeitura de Salvador foi acionada por meio da assessoria de imprensa, mas ainda não respondeu. Auxiliares do prefeito ACM Neto lembraram que a vereadora do PCdoB escreveu sobre a possibilidade de ovadas contra Doria em uma rede social. "Para que ninguém jogue ovos podres no Doria, não vou dizer que ele estará em Salvador dia 07/08! Repetindo? 07 de agosto", escreveu a vereadora.  

Leia a íntegra da nota do PC do B da Bahia:

O prefeito de São Paulo acusou a vereadora do PCdoB de ter organizado a “ovada de que foi alvo”. Não é verdade. O ato realizado na noite do dia 07/08 foi organizado formalmente pela Frente Brasil Popular da Bahia, com convocatória amplamente difundida nas redes sociais, e conduzido na oportunidade por membros da coordenação da referida Frente.

A manifestação tinha objetivo claramente definido: protestar contra a entrega do título de cidadão soteropolitano a uma pessoa que não tem nenhum serviço prestado à cidade, o que se exige para o recebimento dessa homenagem. E durante o ato foi repetido seguidas vezes que aquele que manda despejar jatos de água fria em moradores de rua, que manda derrubar casarões com pessoas pobres dentro, que manda invadir ocupações com espancamento de mulheres, idosos e crianças, não merece tamanha honraria. Foi lembrado também que Dória, quando presidente da Embratur, no governo Sarney, propôs transformar a miséria do nordeste em atração turística – um verdadeiro escárnio contra a povo da região.

É necessário esclarecer a opinião pública o que até agora não foi divulgado. A tal “ovada” que atingiu o prefeito não foi uma iniciativa que veio do nada. Enquanto acontecia a manifestação de maneira pacífica, cerca de 60 capangas contratados pelo prefeito ACM Neto (da mesma tradição do avô) receberam ordens para invadir a área dos manifestantes para tomarem na marra o Nano Trio (uma minitrio elétrico) trazido pela Frente Brasil Popular.

Neste momento dezenas de jovens, mulheres e idosos foram covardemente espancados pelos prepostos do prefeito, tendo um deles quebrado a perna. E essa milícia particular soltou bombas, gases, socos e pontapés, provocando um verdadeiro terror, típico dos períodos da ditadura. Foi aí que surgiu espontaneamente de alguns manifestantes a iniciativa de revidar jogando ovos, um dos quais atingiu o prefeito que veio fazer campanha eleitoral quando deveria estar trabalhando.

Registramos nosso repúdio ao prefeito de Salvador pela violência característica de seus métodos de fazer política e as bravatas de Dória contra nossa a vereadora. Aladilce tem um mandato a serviço dos trabalhadores, contra a venda da cidade a interesses empresariais patrocinada por ACM Neto e em defesa da democracia. Portanto conta com nossa integral solidariedade.

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