Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

‘Participação de Tasso é bem-vinda’, diz Eduardo Leite sobre prévias do PSDB para 2022

Senador tem dito que não está disposto a disputar prévias e que só aceitaria ser candidato caso fosse por consenso

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2021 | 14h16

BRASÍLIA – Um dos nomes cotados no PSDB para a disputa ao Palácio do Planalto em 2022, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou que o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) é “bem-vindo” em uma eventual disputa prévia dentro do partido para definição de quem será o candidato da sigla a enfrentar o presidente Jair Bolsonaro. Leite, no entanto, evita falar em desistir da disputa interna tucana para apoiar o senador cearense. 

(Tasso) tem enorme qualidade como homem público”, afirmou ao Estadão. O presidente do PSDB, Bruno Araújo, defendeu o nome do senador como alguém que poderia unir partidos de centro numa disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O Globo, Araújo disse que o movimento a favor de Tasso tem crescido.

Leite deve enfrentar o governador de São Paulo, João Doria, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio nas prévias do partido, marcadas para outubro, para definir a candidatura presidencial em 2022. 

Tasso tem dito, porém, que não está disposto a disputar prévias e que só aceitaria ser candidato caso fosse por consenso. O senador cearense, que deve ganhar holofotes como membro titular da CPI da Covid, costuma dizer que a “preferência” é dos governadores, mas, até agora, não descartou a ideia de ser presidenciável.  “O espírito dele é o mesmo que o meu: ajudar a construir e viabilizar um projeto para o País”, disse Leite.

“Considero que a discussão, no final do processo, deve ser sobre quem melhor consegue se sintonizar com o sentimento do cidadão e se conectar com o eleitor para viabilizar eleitoralmente o projeto”, declarou o governador gaúcho. Procurado, Tasso não comentou as declarações do correligionário. 

A mobilização em torno do senador provocou reação imediata dos aliados do governador João Doria (SP), primeiro avaliado entre os tucanos para a sucessão do presidente Jair Bolsonaro. Depois de o nome de Doria despontar, o PSDB começou a discutir também o de Leite e, agora, o de Tasso.

Como revelou o Estadão, Doria intensificou conversas com líderes da sigla em outros Estados e montou um núcleo de trabalho para articular sua candidatura em 2022. Ao lado de Leite, Doria é signatário de um manifesto em defesa da democracia e com críticas veladas a Bolsonaro. Outros quatro presidenciáveis também assinaram: Luiz Henrique Mandetta (DEM), Ciro Gomes (PDT), João Amoêdo (Novo) e Luciano Huck. 

Guerra PSDB x DEM

Como o Estadão mostrou também nesta quarta-feira, 21, PSDB e DEM estão travando uma disputa velada pelo protagonismo nas eleições de 2022. O comando do DEM está insatisfeito com a tentativa de Doria de filiar o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), ao PSDB.

Em resposta, setores do DEM têm estimulado o projeto presidencial de Leite. Na semana passada, em entrevista à Rádio Gaúcha, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), declarou apoio ao projeto de tornar Leite uma opção para o Planalto em 2022.

“Ele deu uma declaração, com o entusiasmo que é característico dele, de apoio a uma eventual candidatura minha à Presidência. O que recebi com muita alegria, porque um projeto nacional precisa ser mais do que aspiração individual do candidato, mas algo construído com forças e lideranças interessadas em mudar o rumo das coisas no País. Ele é, sem dúvida, um agente importante nessa direção”, afirmou o governador gaúcho.

Leite disse que é próximo de Paes desde que era prefeito de Pelotas (RS), cargo que exerceu de 2013 a 2016. Nessa época, Paes estava em seu segundo mandato como prefeito do Rio. “Tenho uma boa relação com o Eduardo Paes. O considero um grande exemplo de gestor público, com capacidade e entusiasmo para inovar na gestão. Isso nos aproximou quando fomos perfeitos juntos”, disse o prefeito do Rio.

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