Tiago Queiroz/ Estadão; Dida Sampaio/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão; Dida Sampaio/ Estadão

PSDB e DEM travam disputa velada por 2022

Articulações de Doria contrariam ACM Neto, que ameaça encerrar acordos eleitorais entre as legendas

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2021 | 20h00

BRASÍLIA - Aliados em todas as eleições presidenciais, desde 1994, o PSDB e o DEM travam agora uma “guerra fria” em busca de protagonismo para a disputa de 2022. O embate passa pelo palanque em São Paulo e opõe os antigos parceiros. O presidente do DEM, ACM Neto, já avisou o governador João Doria que, se ele insistir em filiar o vice, Rodrigo Garcia, ao PSDB, as negociações entre os dois partidos para 2022 estarão encerradas.

Garcia é do DEM, mas negocia a migração para o PSDB, assim como o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O movimento de Doria, que quer fazer de Garcia o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, em 2022, contraria ACM Neto. Como mostrou o Estadão, o projeto presidencial de Doria também enfrenta resistências de dirigentes tucanos. Além disso, de uns tempos para cá, o DEM tem indicado que não vai endossar a possível candidatura do governador à sucessão do presidente Jair Bolsonaro.  

O DEM conta com dois nomes que podem entrar na briga pelo Palácio do Planalto: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG). Descontente com a investida de Doria sobre o DEM, no entanto, uma ala do partido de ACM Neto tenta enfraquecer o projeto do governador paulista.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), disse nesta segunda-feira, 12, por exemplo, que apoia a candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, à Presidência, em 2022. Leite é hoje o principal adversário de Doria nas fileiras do PSDB.

“Eu acho o Eduardo Leite, hoje, o quadro mais qualificado do Brasil, e quero dizer que, se ele for em frente com essa candidatura presidencial, já tem um cabo eleitoral na cidade do Rio de Janeiro. Eu vou fazer campanha para o Eduardo Leite. É só dizer que deseja ser candidato”, afirmou Paes à Rádio Gaúcha.

Recentemente, Doria, Leite, Mandetta e outros três presidenciáveis ­– Ciro Gomes (PDT), ex-ministro da Integração Nacional; João Amoêdo (Novo), empresário; e Luciano Huck, apresentador de TV – assinaram  uma carta em defesa da democracia e com críticas veladas a Bolsonaro.

Aliados do prefeito do Rio disseram ao Estadão que ele também tenta fazer com que Leite troque o PSDB pelo DEM. Procurado, o governador gaúcho confirmou que costuma conversar sobre 2022 com Paes, mas não a respeito de mudança partidária. “Venho tendo algumas conversas com ele, recentemente, sobre o tema (...). O essencial agora é ver como aglutinar mais pessoas num projeto para o País. Mais adiante é que devemos consolidar esse projeto em torno de um nome e, naturalmente, das legendas que deverão dar sustentação ao projeto", observou Leite.

Outro ponto na queda de braço entre o PSDB e o DEM diz respeito a Maia. Em fevereiro, o ex-presidente da Câmara anunciou que vai sair do DEM. O desentendimento ocorreu após a cúpula do partido se negar a apoiar o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Maia ao comando da Câmara. À época, a maioria dos deputados do DEM avalizou Arthur Lira (Progressistas-AL), que foi eleito para comandar a Câmara até 2023.

Maia ainda não bateu o martelo sobre a ida para o PSDB. No atual cenário, porém, é provável que o seu destino político seja este, uma vez que problemas regionais, especialmente no Rio, seu reduto eleitoral, têm pesado para a filiação ao MDB, partido com o qual estava negociando.

Do grupo de Maia, Paes gostaria que o ex-presidente da Câmara permanecesse no DEM. O próprio prefeito do Rio foi convidado para retornar ao PSDB, partido ao qual já esteve filiado, mas até agora resiste a essa alternativa.

Estadão apurou que Paes chegou a sondar ACM Neto para saber se ele aceitaria a permanência de Maia. O presidente do DEM não teria apresentado objeção, desde que o deputado estivesse disposto a se entender com ele. Maia, contudo, disse que não ficará no DEM “sob nenhuma hipótese”. Ele também negou que Paes esteja tentando impedir sua saída. Para não perder o mandato, o ex-presidente da Câmara pretende entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de desfiliação por “justa causa”. Procurado, Paes não se manifestou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.