Sara de Santis/RenovaBR
Sara de Santis/RenovaBR

‘Novatos’ desafiam estrutura dos partidos tradicionais

Siglas discutem como receber quadros formados por grupos de formação política; PT, PSOL e PSD abrem espaço para a renovação

Ricardo Galhardo e Matheus Lara, O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2019 | 04h55

Desde a criação, em outubro de 2017, o RenovaBR se tornou uma referência para partidos que procuram novos quadros e também para pessoas da sociedade civil que pensam em entrar para a política. De quatro mil inscritos para o processo de seleção de primeira turma, o número subiu para 31 mil neste ano.

“A gente está muito satisfeito com o resultado eleitoral dos alunos que a gente formou. Como eles alcançaram seus objetivos, isso acaba incentivando outros a buscar o Renova”, disse o diretor de seleção do RenovaBR, Rodrigo Cobra.

‘Partido’

Depois do incidente envolvendo a deputada Tabata Amaral (PDT-SP), que votou a favor da reforma da Previdência contrariando a orientação partidária, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) chegou a dizer que o RenovaBR é um “partido clandestino”.

Cobra, no entanto, garante que “não é nem pretende ser um partido” e não tem posição formal sobre a independência dos parlamentares em relação às legendas. Segundo ele, porém, a questão das candidaturas avulsas “é um tema que o Brasil vai ter que discutir”.

O desempenho eleitoral dos candidatos egressos dos movimentos de renovação política tem gerado discussão até em partidos com estrutura mais fechada. Em dezembro de 2018, a Juventude do PT se debruçou sobre o tema e chegou à conclusão de que a legenda não atendeu à demanda por renovação política expressada, entre outras evidências, pela renovação de 40% do Congresso Nacional nas eleições daquele ano.

“A eleição de 2018 mostrou que existe uma demanda por renovação. Isso se materializou na Câmara, mas não se materializou no PT”, disse o secretário nacional de Juventude do partido, Ronald Luiz dos Santos.

Para reverter a situação, o PT vai iniciar neste ano um projeto de renovação batizado de ‘Movimento Representa’. A ideia é buscar quadros que tenham afinidade ideológica em grupos de atividades nas periferias e também nos setores tradicionais, como o movimento estudantil, sindicalismo e campo.

A ideia é já em 2020 ter pelo menos um terço dos candidatos com menos de 35 anos, mas o resultado concreto, no entanto, só deve vir nas eleições de 2026. Segundo dirigentes do PT, o envelhecimento da bancada é fruto da decisão política de concentrar esforços e recursos nos quadros mais experientes em 2018 para enfrentar “a onda antipetista’.

O PSOL, pioneiro em aceitar candidaturas independentes de grupos como a Bancada Ativista e o Juntos, também vai debater o assunto. “Já tivemos candidatos eleitos que vieram destes movimentos, mas isso é diferente das candidaturas independentes que partem de arranjos já consolidados na sociedade”, disse Juliano Medeiros, presidente do partido.

Outros partidos, como o PSD, fomentaram espaços de participação para possíveis novos filiados. Em um destes eventos, a advogada Renata Cezar foi recepcionada pela ex-vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio, e convidada a se filiar. 

De acordo com assessoria do PSD, no entanto, o partido não faz uma busca ativa por alunos de movimentos de renovação e o interesse por Renata é mais pelo perfil acima da média da advogada do que pelo fato de ela ter saído do Renova BR.

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